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Professor Lin Chong'an: Teoria e Prática da Meditação Zen, Aula 3: O Sūtra dos Seis Símiles da Vida

Teoria e Prática da Meditação Zen, Aula 3: A Parábola dos Seis Animais Sūtra 【Ponto-Chave】: Atenção Plena no Corpo 【Base Escriturística】: Sūtra 1171 do Saṃyukta Āgama

Professor Lin Chong'an: Teoria e Prática da Meditação Zen, Aula 3: A Parábola dos Seis Animais Sūtra 【Ponto-Chave】: Atenção Plena no Corpo 【Base Escriturística】: Sūtra 1171 do Saṃyukta Āgama

Certa vez, o Buda estava hospedado no Bosque de Ghosita, no reino de Kosambi. Os bhikkhus de lá se dedicavam à prática da meditação. Todos os entardeceres, reuniam-se diante do Buda para ouvir seus ensinamentos. Numa dessas ocasiões, o Buda disse:

"Suponham que uma pessoa entre numa casa vazia e desabitada e capture seis animais diferentes. Primeiro vem um cão, depois uma ave, depois uma serpente venenosa, depois um chacal (um tipo de lobo), depois um gavial (um tipo de crocodilo) e, por fim, um macaco. Ela prende todos os seis animais capturados uns aos outros, com seis cordas separadas. O cão anseia correr para as aldeias. A ave anseia alçar voo para o céu. A serpente anseia deslizar para dentro das cavernas. O chacal anseia esconder-se nos cemitérios. O gavial anseia nadar em direção aos lagos e aos mares. O macaco anseia viver nas florestas das montanhas. Esses seis animais estão amarrados uns aos outros, mas cada um tem seus próprios hábitos e preferências: cada um gosta de lugares diferentes e não aprecia os locais que os outros favorecem. Agora, atados uns aos outros, cada um puxa com todas as suas forças para correr na direção do lugar que ama, mas não consegue se libertar. Por fim, mesmo o animal mais forte só consegue arrastar todo o grupo na direção que prefere, e ainda assim não consegue romper as cordas."

Após o Buda concluir essa parábola, continuou: "Assim como essas seis criaturas buscam cada uma os reinos de que gostam e se afastam dos que não gostam, da mesma forma as seis faculdades sensoriais buscam os objetos que lhes são agradáveis e rejeitam aqueles que lhes são desagradáveis. A faculdade do olho busca sem cessar formas agradáveis e sente aversão pelas desagradáveis. A faculdade do ouvido busca sem cessar sons agradáveis e sente aversão pelos desagradáveis. A faculdade do nariz busca sem cessar aromas agradáveis e sente aversão pelos desagradáveis. A faculdade da língua busca sem cessar sabores agradáveis e sente aversão pelos desagradáveis. A faculdade do corpo busca sem cessar sensações táteis agradáveis e sente aversão pelas desagradáveis. A faculdade da mente busca sem cessar objetos mentais agradáveis e sente aversão pelos desagradáveis. Essas seis faculdades sensoriais movem-se cada uma dentro de seus próprios domínios, cada uma habitando seus próprios reinos únicos, e nenhuma busca os reinos das outras faculdades. Dentre elas, a mais forte é capaz de seguir e perceber livremente o reino que escolheu para si."

Explicação: Para as pessoas comuns, todas as seis faculdades sensoriais possuem uma natureza "selvagem" e indomada. Tomemos a faculdade do olho, que anseia ver cenas belas; a faculdade do ouvido, que anseia ouvir palavras agradáveis; a faculdade do nariz, que anseia sentir fragrâncias delicadas; a faculdade da língua, que anseia saborear alimentos deliciosos; a faculdade do corpo, que anseia tocar coisas macias e confortáveis; e a faculdade da mente, que anseia perseguir objetos que lhe pareçam agradáveis. Por outro lado, quando qualquer uma dessas seis faculdades se depara com um objeto que não gosta, surgem a aversão e a rejeição.

Se deixarmos as seis faculdades sensoriais entregues a si mesmas, sem orientação nem contenção, deixando cada uma se desenvolver à vontade, com o tempo uma delas se tornará muito mais poderosa que as demais. Por exemplo, alguém que se torna um artista visual terá uma faculdade do olho excepcionalmente aguçada, com um talento especial para apreciar cor e forma. Alguém que se torna um músico vocal terá uma faculdade do ouvido excepcionalmente aguçada, com um talento especial para discernir tom e timbre. Alguém que se torna um chef renomado terá uma faculdade da língua excepcionalmente aguçada, com um talento especial para apreciar sabores complexos e deliciosos.

Mesmo que esses artistas visuais, músicos, chefs e outros tenham uma faculdade sensorial altamente desenvolvida, como se as outras cinco tivessem sido domadas, ainda assim enfrentam sofrimento e aflição na vida cotidiana. Suas mentes permanecem inquietas, e eles não resolveram as questões fundamentais da vida.

Para ajudar seus discípulos a compreender como resolver esse problema de raiz, o Buda continuou com a parábola dos seis animais, dizendo: "É como um homem que amarra esses seis animais a um pilar resistente. Eles lutam com todas as suas forças para ir aonde desejam, correndo de um lado para o outro até ficarem completamente exaustos. Mas, como estão presos pelas cordas, não têm escolha a não ser se submeter ao pilar e vir a repousar."

Explicação: Isso significa que, para resolver plenamente o problema da aflição, uma pessoa deve amarrar todos os seis animais a um único pilar inabalável. Cada um dos seis animais luta com todas as suas forças para correr ao lugar que ama, arremetendo para lá e para cá repetidamente até ficar completamente exausto e não conseguir se libertar. Como estão presos ao pilar pelas cordas, não têm escolha a não ser se submeter a ele e vir a repousar.

Com essa parábola, o Buda mostrou a seus discípulos como resolver a natureza indomada das seis faculdades sensoriais, e continuou: "Bhikkhus, compartilho essa parábola com vocês para revelar seu significado. Os seis animais são uma metáfora para as seis faculdades sensoriais; o pilar resistente é uma metáfora para o fundamento da atenção plena no corpo. Se vocês praticarem bem o fundamento da atenção plena no corpo, mantendo uma consciência clara sem apego às formas: quando virem formas agradáveis, não surgirá apego; quando virem formas desagradáveis, não surgirá aversão. O mesmo se aplica aos sons e à faculdade do ouvido, aos aromas e à faculdade do nariz, aos sabores e à faculdade da língua, às sensações táteis e à faculdade do corpo, e aos objetos mentais e à faculdade da mente: quando encontrarem objetos agradáveis, não os cobiçarão; quando encontrarem objetos desagradáveis, não surgirá aversão. Portanto, bhikkhus, dediquem-se com diligência à prática e permaneçam com frequência no fundamento da atenção plena no corpo."

Explicação: Isso significa que, para domar plenamente a natureza indomada das seis faculdades sensoriais, é preciso praticar com dedicação o fundamento da atenção plena no corpo: permanecendo claramente consciente de cada movimento do próprio corpo, momento a momento. Após um treinamento prolongado nisso, você descobrirá que, quando os olhos veem formas agradáveis, nenhum desejo ou apego surge; quando veem formas desagradáveis, nenhuma raiva ou aversão surge. O mesmo vale para os ouvidos, o nariz, a língua, o corpo e a mente: quando encontram objetos agradáveis, nenhum desejo ou apego surge; quando encontram objetos desagradáveis, nenhuma raiva ou aversão surge. É por isso que o Buda exortou seus discípulos a praticar com diligência, a permanecer com frequência no fundamento da atenção plena no corpo, a manter-se constantemente atentos às suas ações corporais presentes e a atar suas mentes a esse "grande pilar" do corpo. Assim, por mais indóceis que as seis faculdades sensoriais possam ser, serão domadas com o tempo — tal como os seis animais, por mais que se esforcem, acabarão por se submeter ao pilar e vir a repousar.

Após o Buda concluir o ensino desse sūtra, todos os bhikkhus que o ouviram se rejubilaram e colocaram seus ensinamentos em prática.