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Professor Lin Chong'an: Não-Ser e Vacuidade, Aula 1: Refutando o Ser Eterno, Abandonando o Ser Separado dos Agregados

Não-Ser e Vacuidade, Aula 1

Não-Ser e Vacuidade, Aula 1

Refutando o Ser Eterno, Abandonando o Ser Separado dos Agregados

Lin Chong'an (2007)

○ As verdades universais sempre existiram, permeando toda a realidade; é isso que chamamos de Verdadeiro Dharma. ○ Trilhar o caminho do Verdadeiro Dharma consiste em acumular as provisões de mérito e sabedoria, que incluem tanto o aquietamento mental (samatha) quanto a meditação de visão penetrante (vipashyana). ○ As provisões para o aquietamento mental e a meditação de visão penetrante vêm de ouvir, refletir e praticar: isto é, frequentar amigos virtuosos, ouvir o Verdadeiro Dharma, contemplar de acordo com o Dharma e viver em conformidade com ele. ○ A base para as provisões da meditação de visão penetrante é a visão correta — antes de tudo, uma compreensão firme do significado de não-ser e vacuidade. ○ Com reflexão cuidadosa, passamos a compreender as falhas do ciclo de nascimento e morte (samsara); em seguida, reconhecemos o "apego ao ser" como sua causa raiz. Para cortar esse apego, precisamos buscar o método correto de erradicá-lo, obter uma convicção inabalável na "visão correta do não-ser" e então meditar repetidamente sobre esse significado — isto é uma parte indispensável do caminho do Bodhisattva.

【Evidência Textual】(Versos da Introdução ao Caminho do Meio)

Os externalistas postulam um ser permanente e substancial como aquele que experiencia — sem qualidades, inativo, não sendo um agente; com base em pequenas diferenças em suas afirmações, formaram-se diversas escolas externalistas.

Como o filho de uma mulher estéril, os seres postulados por esses externalistas simplesmente não existem; tampouco servem de base para o apego inato ao ser, pois não são aceitos como existentes nem mesmo na realidade convencional.

【Explicação do Ser Eterno】 Princípios fundamentais da escola Samkhya: (1) Todos os objetos de conhecimento se dividem em 25 tattvas (categorias de existência):

  1. Purusha (o Ser Eterno, também chamado de "ser" ou "pessoa")
  2. Natureza Primordial (prakṛti, também chamada de "Senhor")
  3. Mahat (o "Grande," ou consciência cósmica)
  4. Ahamkara (egoidade, ou "fabricante do eu") 5–9. Os cinco elementos sutis 10–20. As onze faculdades 21–25. Os cinco elementos grosseiros Os cinco elementos sutis são: forma, som, cheiro, sabor e tato. As onze faculdades compõem-se de: as cinco faculdades sensoriais, as cinco faculdades motoras (também conhecidas como os cinco órgãos sensoriais de ação) e a faculdade mental. As cinco faculdades sensoriais são: olho, ouvido, nariz, língua e pele. As cinco faculdades motoras são: boca, mãos, pés, órgãos excretores e órgãos reprodutores. Os cinco elementos grosseiros são: terra, água, fogo, vento e espaço.

(2) O "Ser Eterno" tem cinco características definidoras: (a) é aquele que experiencia, vivenciando prazer, dor e outras sensações; (b) é um fenômeno permanente; (c) não é um agente que sofre mudança; (d) é desprovido das qualidades de "alegria, tristeza e delusão"; (e) é onipenetrante e, portanto, não tem função específica. É chamado de "permanente" porque permanece sempre independente. Vale observar que "alegria, tristeza e delusão" são nomes alternativos para "prazer, dor e ignorância."

(3) A Natureza Primordial é a fonte de todos os efeitos. Ela só produz efeitos quando o "Ser Eterno" desperta um desejo: ao perceber que o Ser Eterno quer desfrutar de objetos como o som, a Natureza Primordial se alinha a ele e manifesta todo tipo de fenômeno para que o Ser Eterno os vivencie.

(4) O processo de mudança que emana da Natureza Primordial se desdobra assim: primeiro, a Natureza Primordial dá origem a Mahat (o Grande). Mahat é outro nome para a consciência: aquilo que projeta, simultaneamente, as imagens dos objetos externos e do eu interior. De Mahat surge Ahamkara (egoidade). A egoidade se divide em três tipos: egoidade mutável, egoidade de alegria e egoidade de ilusão. Da egoidade mutável surgem os cinco elementos sutis (forma, som, odor, sabor, tato). Da egoidade de alegria surgem as onze faculdades. Os cinco elementos grosseiros então surgem dos cinco elementos sutis. As cinco faculdades sensoriais — o ouvido, por exemplo — são habilitadas pela faculdade mental a captar os cinco objetos, como o som; tomam consciência deles e dão origem ao apego. O Eu Eterno então contempla o significado daquilo a que a consciência se apega e desperta o desejo de fruir desses objetos. Os seres sencientes não compreendem que todos os fenômenos são transformações da Natureza Primordial, e por isso seguem girando no samsara.

(5) Um dia, um yogi ouve as instruções essenciais de seu mestre e delas obtém uma certeza inabalável: "Todos esses fenômenos são meramente transformações da Natureza Primordial." Aos poucos, ele abandona o apego aos objetos externos, contempla as falhas de todos os objetos, renuncia a todos os desejos e pratica a absorção meditativa. Graças à absorção meditativa sustentada, desenvolve o olho divino e o usa para observar a Natureza Primordial. Quando a Natureza Primordial é percebida pelo olho divino, é como uma amante descoberta pela esposa legítima: envergonhada, ela recolhe todas as suas manifestações de volta para a Natureza Primordial, separando-se do Eu Eterno. Nesse momento, todas as aparências convencionais desaparecem da mente do yogi; o Eu Eterno permanece sozinho, sem mais fruir dos objetos externos — e isso se chama libertação.

【Refutando o Eu Eterno】 (1) O "Eu Eterno" postulado por todas as escolas externalistas é um "eu separado dos agregados". Os mestres Madhyamaka apresentam argumentos lógicos para refutá-lo:

O eu postulado por todas as escolas externalistas não pode existir na realidade última, pois é não-nascido — assim como um filho de uma mulher estéril não existe.

O eu postulado por todas as escolas externalistas não pode ser a base do apego inato ao eu, pois é não-nascido — assim como um filho de uma mulher estéril não existe.

(2) Não existe um Eu Eterno de natureza distinta e separada, alheio aos agregados. Esse Eu Eterno não tem qualquer ligação com os agregados; praticar para realizá-lo é esforço inteiramente desperdiçado.

(3) A "base" do apego ao eu da pessoa, conforme descrita pelos mestres Madhyamaka, é o "eu" ou pessoa (ser senciente, pudgala) composto pelos agregados — um fenômeno impermanente. O objeto que surge para o apego ao eu da pessoa é o "eu de uma pessoa", que não existe. Quanto ao Eu Eterno postulado por todas as escolas externalistas, ele não existe não apenas na realidade última, mas também na convencional.

【Explicação】 No cotidiano, os "objetos" da nossa preocupação parecem ser coisas externas: família, carreira e assim por diante. Mas, se olharmos mais de perto, o que verdadeiramente nos aflige é o "eu composto por nosso próprio corpo e mente" — essa é a "base" do apego ao eu da pessoa, e esse é o verdadeiro objeto (base e foco) da meditação Chan, não o Eu Eterno. No fundo, carregamos a sensação vaga de que há um eu de existência independente por trás do nosso corpo e mente, ao qual chamamos de "eu permanente, singular e autônomo". Essa é uma percepção equivocada: tratamos esse "eu" como um mestre, e nosso corpo e mente como servos a comandar e usar. Esse tipo de eu é justamente o "eu separado dos agregados".

【Prática】 Cultive a quietude estável por meio de práticas como a meditação andando. Cultive a "visão correta de não-eu" por meio da audição, da reflexão e de práticas semelhantes; em seguida, passe para a meditação de visão penetrante, começando por refutar o "eu separado dos agregados".