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Poesia Zen: Se a mente é como uma árvore, ela concorda com o Caminho

— Dinastia Tang, Mestre Chan Longya Judong

A árvore diante do portão — Dinastia Tang, Mestre Chan Longya Judong

Meu único pensamento é a árvore diante do portão, que dá abrigo aos pássaros quando pousam e voam. Quem chega, ela não chama ninguém; quem parte, ela não sente saudades. Se a mente for como essa árvore, não se desviará do Caminho.

Os ensinamentos do Dharma não se limitam aos seres sencientes; mesmo os insencientes — montanhas, rios, gramas e árvores — podem ensinar o Dharma, que se faz ouvir pelo ouvido da mente. O Mestre Chan Dongshan Wuben, de Junzhou, deixou este verso: "Como é maravilhoso! Como é maravilhoso! A pregação do Dharma pelos seres insencientes está além da concepção. Se você a buscar com o ouvido físico, jamais a alcançará; só quando a ouve pelos olhos é que pode verdadeiramente conhecê-la." Na Terra da Bem-Aventurança do Buda Amitabha, as árvores, as flores e os pássaros proclamam as verdades do sofrimento, do vazio, da impermanência e do não-eu. A grande assembleia reunida nos lagos de lótus, ao ouvir esses sons, desperta espontaneamente e realiza o fruto por si mesma.

Este poema revela o significado sutil por trás da pregação do Dharma pelos seres insencientes. Uma árvore altaneira oferece abrigo a incontáveis pássaros, e "quando chegam, ela não chama ninguém; quando se vão, ela não anseia pelo seu retorno" — para a árvore, os pássaros vêm como vêm e partem como partem. Os Anais do Espelho da Fonte dizem: "Se você não gera pensamentos ilusórios, naturalmente estará em acordo com o despertar. Por isso se diz: ausência de mente é o Caminho." Como prossegue o poema: "Se a mente for como essa árvore, não se desviará do Caminho." Se o praticante cultivar essa "ausência de mente" da árvore, estará em perfeita harmonia com o Caminho. Dito isso, a "ausência de mente" de um sábio nada tem a ver com o estado embotado e insensível da madeira ou da pedra. Essa ausência de mente não significa perder-se na ignorância passiva, mas sim um estado de consciência clara e lúcida que não se apega a pensamento passageiro algum. É a ausência de mente de uma mente que não se fixa em nada. Todos os dharmas são vazios por natureza; se você afirma ter alcançado algo nos dharmas, ou ter realizado o despertar, isso é apenas apegar-se às marcas: a divisão entre sujeito e objeto persiste, e você não pode atingir o fruto supremo e perfeito do Caminho.