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Os Pecados da Conduta Sexual Ilícita e as Bênçãos da Castidade

Os textos e tratados budistas geralmente discutem os diversos pecados da conduta sexual ilícita, bem como as diversas bênçãos de quem se abstém dela. Tomemos o adultério, por exemplo: ao se envolver nele, você vive em constante temor — o...

Os textos e tratados budistas geralmente discutem os diversos pecados da conduta sexual ilícita, bem como as diversas bênçãos de quem se abstém dela. Tomemos o adultério, por exemplo: ao se envolver nele, você vive em constante temor — o temor de que o cônjuge da outra parte retalie, e pode até matá-lo. Veja quantos crimes passionais acontecem hoje simplesmente porque um homem brinca com uma mulher: ela tem seu próprio marido, que não tolera a traição, e ele vai atrás do ofensor. Muitos casos surgem exatamente dessa dinâmica. Se você mantém uma amante fora do casamento, sua relação com o cônjuge inevitavelmente sofre, e seu lar se enche de discórdia.

Afinal, o amor romântico entre os seres humanos tem uma qualidade inerente: as pessoas naturalmente querem que ele seja exclusivo. Se você espalha seus afetos, perseguindo um amante após o outro, sua vida familiar inevitavelmente se desfaz. Pior ainda, a conduta sexual ilícita desperta seus instintos mais baixos, enquanto seu lado virtuoso se esvai aos poucos.

Quando você cai nesse padrão, corpo e mente se prejudicam, e sua saúde se deteriora. O prazer que você busca vem a um custo altíssimo.

Houve um caso famoso: no palácio imperial, muitas damas da corte andavam apáticas, amarelentas e emaciadas. O imperador achou aquilo estranho — elas comiam bem, por que estavam tão fracas? Perguntou ao médico imperial o que fazer. O médico respondeu: "Isso é fácil. Vou receitar algo e elas vão se recuperar na hora." "Que receita é essa?", quis saber o imperador. "Dez homens bonitos." Quando os dez rapazes foram levados até lá, as mulheres ganharam vida imediatamente — conversando, rindo, comendo com apetite. Depois de um tempo, seus rostos estavam rosados e seus corpos, cheios e saudáveis. Mas por trás delas estavam dez homens que não passavam de pele e osso, com aparência quase desumana. "O que é aquilo?", perguntou o imperador. "O que sobrou do remédio", disse o médico. Percebe? Quem proporciona esse tipo de "prazer" se arruína no processo.

Foi por isso que o Mestre Yinguang observou que pouquíssimas pessoas vivem até o fim da vida natural que lhes foi destinada. A morte prematura é generalizada: 40% morrem diretamente por causa da conduta sexual ilícita, e outros 40% morrem indiretamente por ela. Apenas 20% conseguem chegar ao fim da vida que lhes foi predestinada.

A morte prematura vem da indulgência no sexo ilícito e do desejo sem freio, que destroem a saúde. As mortes súbitas e violentas surgem da mesma causa. Além disso, a conduta sexual ilícita exige dinheiro — você precisa pagar sem parar, e sua riqueza se esvai dia e noite. Há também o terror de ser descoberto: você age às escondidas, o que só aumenta a suspeita dos outros. Perde todo o prestígio dentro de casa. Pense: se seus filhos o veem se comportando assim, passam a desprezá-lo. E quando você tenta corrigi-los, eles dizem: "Olha quem está falando — e você?". Você não tem o que responder. Parentes e amigos também passam a evitá-lo. Esse comportamento planta a semente de todo tipo de emaranhamento cármico.

No fim, quando você morre, cai no inferno. Ao sair do inferno, pode renascer como prostituta, ou como mulher obrigada a dividir um único marido com várias outras. Se renasce como homem, sua própria esposa e filhas terão conduta sexual ilícita. Todas essas são consequências da conduta sexual ilícita, amadurecendo nesta vida e na próxima. Foi por isso que os antigos disseram: "A luxúria é o primeiro entre todos os males" — entre toda espécie de transgressão, a conduta sexual ilícita ocupa o primeiro lugar.

Se você se abstém da conduta sexual ilícita, seu mérito cresce. Os outros o elogiam, e você não precisa temer retaliações nem consequências legais. Corpo e mente encontram paz, e após a morte você sobe aos reinos celestiais. Uma vida de castidade, com o preceito contra a conduta sexual ilícita preservado, torna-se o próprio combustível para o renascimento na Terra Pura. Por isso, esse preceito precisa ser mantido com firmeza. Se cedermos a essa cobiça, que a passagem sobre o terceiro mal, a terceira dor e a terceira queimação sirva de espelho para todos nós.

Todos queremos buscar a felicidade e evitar o sofrimento, mas tantas vezes colocamos as coisas de cabeça para baixo. Indulgar na conduta sexual ilícita traz um sofrimento intenso em seu rastro. Precisamos ficar atentos a isso — sobretudo hoje, em que esse comportamento se tornou banal. Ele chega até a se travestir de "sensibilidade moderna": esse estilo de vida é vendido como romântico, até glamoroso, como se um homem de sucesso sem amante fosse de alguma forma incompleto. Essa inversão já foi longe demais. Como praticantes budistas, precisamos manter a cabeça fria e nos recusar a nos deixar levar por essas noções mundanas.