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A Feiura ou a Beleza da Aparência de Alguém Causa Todo Tipo de Problemas

O quarto voto é o da não distinção entre forma e tez belas ou feias na minha terra-buda. O Bodhisattva Dharmākara fez este voto: “Quando eu alcançar a budhidade, todos os devas e humanos em minha terra-buda terão forma e tez igualmente b...

O quarto voto é o da não distinção entre forma e tez belas ou feias na minha terra-buda. O Bodhisattva Dharmākara fez este voto: “Quando eu alcançar a budhidade, todos os devas e humanos em minha terra-buda terão forma e tez igualmente belas, sem que ninguém seja considerado mais bonito ou mais feio que outro. Se este voto não se cumprir, não alcançarei a budhidade.” É possível perceber o quanto o Bodhisattva Dharmākara refletiu cuidadosamente sobre esse voto. Ele fez esse voto por um motivo. O Bodhisattva Dharmākara viu que todos os conflitos, disputas e até guerras entre os seres sencientes de outras terras-buda surgem do ciúme mútuo. A forma mais comum e corriqueira desse ciúme é simples: a competição para ver quem é mais bonito e quem é menos atraente. As pessoas consideradas menos atraentes frequentemente se sentem inseguras, e essa insegurança azeda e se transforma em ressentimento. Já as consideradas mais atraentes tendem a ficar arrogantes, olhando os outros de cima a partir de uma posição de superioridade percebida. É assim que mesmo distinções triviais de aparência bonita ou feia podem se transformar em todo tipo de problema. Tome o caso que veio a público na Universidade de Tsinghua algum tempo atrás. Duas estudantes do departamento de química: a menos atraente das duas ficou invejosa ao ver a mais bonita recebendo atenção constante dos colegas de classe homens. Ela começou a adicionar veneno de ação lenta ao chá da outra, destruindo pouco a pouco sua aparência e sua saúde. O crime só foi descoberto muito tempo depois. É assim que o ciúme destrutivo pode ser: pode levar uma pessoa a arruinar completamente a outra. Ou tome os reis antigos, que não poupavam esforços para lutar por uma mulher bonita. Há inúmeras histórias assim na história antiga da China, assim como na história ocidental. Tome Wu Sangui, que ficou famoso por “eriçar-se de raiva por causa de uma beleza”: se não fosse por sua amada concubina Chen Yuanyuan, o rumo da história poderia ter sido completamente diferente. Diz-se que ele só abriu os portões para deixar o exército Qing entrar nas Planícies Centrais por causa dela, e a história é repleta de relatos exatamente como esse. A Terra Pura Ocidental é uma sociedade harmoniosa e sem conflitos. Nela, não existem distinções de alto ou baixo, superior ou inferior, bonito ou feio no que se refere à forma dos seus habitantes – todos são exatamente iguais. E qual é o nível dessa igualdade? Ela é idêntica à forma do próprio Buda, que exibe as 32 marcas maiores, 80 marcas menores e o corpo vajra-nārāyaṇa. É possível ver que Amitābha Buddha, o Puro, Igual e Desperto, é a própria personificação da perfeita igualdade. Essa igualdade nada se parece com a prometida pelo Deus de Abraão, que diz aos seus seguidores: “Vós sois todos iguais, mas eu estou acima de vós.” A natureza “pura, igual e desperta” de Amitābha concede a todos os seres que renascem em sua terra pura igualdade plena com ele, começando pela igualdade de aparência. Se observarmos os murais da Transformação da Terra Pura Ocidental, podemos ver que os seres sencientes de nosso mundo são marcados por distinções: os corpos dos seres renascidos das flores de lótus são um pouco menores, o Buda é o mais alto, os bodhisattvas são ainda menores, e assim por diante. Contamos com essas diferenças de tamanho para distingui-los – sem elas, seria quase impossível. Mas na Terra Pura Ocidental, todos são iguais, e tais diferenças não existem.