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O Mantra Shurangama Neutraliza Todas as Aflições e Tendências Habituais

Esta seção apresenta exemplos concretos do mérito e dos benefícios de recitar o mantra. Vejamos o texto do sutra. O que se segue ilustra de forma prática o poder da recitação do mantra. Ao longo de inumeráveis vidas, Ananda cultivou vínc...

Xin 2: Breve Esboço dos Procedimentos para Instalação do Altar, Dividido em Duas Partes: Ren 1 (Preparações Preliminares); Ren 2 (Prática Formal)

Esta seção apresenta exemplos concretos do mérito e dos benefícios de recitar o mantra. Vejamos o texto do sutra. O que se segue ilustra de forma prática o poder da recitação do mantra. Ao longo de inumeráveis vidas, Ananda cultivou vínculos kármicos de apego romântico com a donzela de Magadha, gerando incontáveis sementes de cobiça depositadas em sua consciência alaya. Tais sementes não se formaram numa única vida, nem em um único kalpa, mas se acumularam ao longo de muitas existências de conexão kármica compartilhada. Segundo os comentários dos antigos mestres virtuosos, o Venerável Ananda e a donzela de Magadha foram marido e mulher por quinhentas vidas consecutivas. Por meio de tantas existências de apego íntimo, uma semente extremamente pesada de cobiça ficou profundamente gravada em sua consciência alaya.

Tomemos a própria donzela de Magadha: quando sua aflição de cobiça romântica se manifestou, ela ouviu o Bodisatva Manjushri recitar o mantra divino, e seu apego foi instantânea e permanentemente cortado. O mantra penetrou sua consciência alaya e subjugou sua aflição de cobiça romântica. Mais tarde, ao retornar à Assembleia Shurangama para ouvir os ensinamentos do Buda, ela alcançou o fruto de arhat. O Buda explicou esse princípio, dizendo: "Ela era apenas uma cortesã" — o que indica que, em sua presente vida, a donzela de Magadha carregava aflições extremamente pesadas e manifestas, e não havia gerado genuinamente a resolução de praticar o Dharma.

Ela havia buscado satisfazer sua cobiça pelo Venerável Ananda, mas o Bodisatva Manjushri subitamente fez uso do mantra, que destruiu suas aflições e a conduziu de volta à assembleia, permitindo-lhe alcançar o fruto de arhat. Isso significa que, mesmo sem resolução genuína de praticar o Dharma e sobrecarregada por aflições extremamente pesadas, ela pôde, ainda assim, confiar no poder do mantra para romper permanentemente seu apego e, por fim, atingir o estado de arhat — a chamada "rápida obtenção do estágio de não-aprendiz".

Este é o exemplo do caso mais extremo e degradado possível. Como cortesã que vivia uma vida de indulgência, sem qualquer intenção de praticar o Dharma, ela ainda assim alcançou o fruto de arhat em sua presente vida. É claro que tudo isso foi possível graças às bênçãos e ao poder do Buda.

"Quanto mais!" — trata-se de um recurso retórico comparativo. Considerem todos vocês, shravakas, presentes nesta assembleia: já se voltaram do veículo menor para o maior, buscam o supremo Dharma do yana mais elevado e despertaram genuinamente a bodhicitta, com a firme resolução de alcançar a condição de Buda. Os shravakas têm, por natureza, aflições sutis e leves, e vocês também geraram genuinamente essa resolução. Se recitarem o mantra em tais circunstâncias, é como poeira lançada ao vento favorável: a poeira já é leve e insubstancial, de modo que, ao soprar o vento, desaparece instantemente. Que dificuldade ou problema poderia haver nisso?

O Mestre Ouyi comenta nesta passagem: na verdade, o Mantra Shurangama não se limita a subjugar a aflição da cobiça — pode também subjugar todas as tendências habituais aflitivas, incluindo raiva, arrogância e ciúme. Por que o texto destaca especificamente a cobiça? Porque, como ele observa, a cobiça é a aflição mais profundamente enraizada neste mundo Sahā. Se até a mais pesada aflição de cobiça pode ser subjugada, quanto mais facilmente todas as outras aflições, mais leves, hão de ser superadas! Trata-se de um argumento comparativo que utiliza o caso mais pesado para ilustrar os mais leves. Como o Sutra Shurangama explicará em passagens posteriores, o mantra subjuga as aflições ao cortar diretamente o apego discriminativo da mente nas seis portas sensoriais, eliminando a própria raiz de toda aflição. Assim, ele possui o poder de extirpar completamente todas as tendências habituais aflitivas.

Ren 1: Preparações Preliminares

Esta seção esboça inicialmente as preparações preliminares necessárias para estabelecer um altar de mantra. Na instalação do altar, há dois pontos-chave, que abordaremos em ordem. Comecemos pelo primeiro ponto.

Manter os Preceitos como Fundamento

Se as pessoas na era final do Dharma desejam erradicar obstruções kármicas — por exemplo, se sofrem de aflições pesadas (como será explicado adiante, o Mantra Shurangama pode eliminar até mesmo violações dos quatro preceitos principais cometidas em vidas passadas ou presentes, que não podem ser expiadas no sistema de preceitos dos shravakas) —, devem ainda assim observar as regras prescritas da prática. Se você "deseja entrar no altar do Dharma" para estabelecer um local de prática do Mantra Shurangama, o primeiro requisito é manter os preceitos monásticos puros. Os antigos mestres virtuosos explicam que isso se refere primordialmente aos quatro preceitos fundamentais pesados: independentemente de sua conduta passada, é preciso começar agora a manter os quatro preceitos claros e saudáveis.

O segundo requisito é escolher um monge preeminente, de observância dos preceitos completamente pura, como mestre. Se você é um monástico, deve encontrar um mestre de preceitos devidamente qualificado, que lhe tenha transmitido os preceitos em conformidade com o Dharma. A expressão "monge preeminente puro nos preceitos", nos comentários, refere-se a um mestre de preceitos que não apenas se abstém de violar os preceitos pelo corpo e pela fala, mas também não gera pensamentos não saudáveis nem mesmo na mente. Isso diz respeito especificamente aos preceitos fundamentais pesados: tal mestre se abstém de violá-los pelo corpo, pela fala e pela mente, e nem mesmo os preceitos mais leves são transgredidos. Isso significa que sua essência de preceitos deve ser pura. O primeiro ponto acima refere-se à pureza na manutenção dos preceitos pela conduta exterior, enquanto este ponto refere-se à pureza da própria essência dos preceitos. Se você não encontrar um mestre de preceitos verdadeiramente puro e qualificado, o mérito da sua essência de preceitos não se aperfeiçoará plenamente. Assim, esta seção apresenta dois pontos-chave a observar antes de recitar o mantra: primeiro, receber os preceitos em conformidade com o Dharma, para que sua essência de preceitos seja pura; segundo, manter os preceitos em conformidade com o Dharma. São estes os dois requisitos essenciais.