Montanha Jiufeng: Consumismo do Entretenimento e AI-ismo: Um Prelúdio Oculto do Declínio da Civilização Humana
Ao longo do arco da história humana, um alerta ecoa repetidamente: quando uma sociedade coloca o entretenimento e o consumo no topo de seus valores, rendendo-se à gratificação imediata dos sentidos enquanto abandona a busca pelo espírito...
Ao longo do arco da história humana, um alerta ecoa repetidamente: quando uma sociedade coloca o entretenimento e o consumo no topo de seus valores, rendendo-se à gratificação imediata dos sentidos enquanto abandona a busca pelo espírito, pela criatividade e pela responsabilidade, as sementes do seu declínio são silenciosamente semeadas. As fases finais da antiga Babilônia e o posterior Império Romano são testemunhos vívidos desse padrão. Hoje, enquanto oligarcas da tecnologia anunciam a IA como portadora de uma abundância sem precedentes, prometendo que as pessoas serão libertadas do trabalho para viver vidas de lazer e consumo, repetimos os mesmos erros. A fusão desse "AI-ismo" com a supremacia do entretenimento e do consumo vem moldando silenciosamente um futuro de espíritos murchos e criatividade esgotada.
Olhando para a Antiguidade, o esplendor da Babilônia outrora impressionou o mundo. Sob Nabucodonosor II, a Babilônia tornou-se a mais magnífica metrópole de sua época, com seus grandiosos projetos — os Jardins Suspensos, o Portão de Ishtar e outras obras monumentais — exibindo a riqueza e a ambição do império. Contudo, no auge de seu poder, a indulgência e o excesso tomaram conta. Registros históricos relatam que, mesmo enquanto o exército persa já estava às portas da cidade, os babilônios permaneciam imersos em cantos e danças de festivais, alheios à ameaça que se aproximava. O estilo de vida extravagante da corte e o hedonismo desenfreado corroeram a vitalidade do império. Em 539 a.C., a Babilônia caiu diante das forças persas de Ciro, o Grande, marcando o fim do Império Neobabilônico. Orgulho e devassidão não eram meros sintomas superficiais, mas uma degeneração de funções sociais mais profundas: tanto plebeus quanto elites haviam perdido a vontade de se esforçar, intoxicados por festins da matéria e dos sentidos.
O declínio de Roma é um exemplo ainda mais contundente. Em sua era republicana, Roma era conhecida pela virtude cívica, pela disciplina militar e pela dedicação aos seus ideais republicanos. Porém, na era imperial, "pão e circo" (panem et circenses) tornou-se a estratégia central para a manutenção do poder. Os governantes apaziguavam as massas e desviavam seu descontentamento distribuindo grãos gratuitos e organizando espetáculos grandiosos — combates de gladiadores, corridas de bigas e outras diversões em massa. O poeta Juvenal satirizou o povo romano, que outrora empunhara o poder militar e ocupara cargos públicos, mas que agora se importava apenas com "pão e circo". Essas distrações e concessões baratas acalmaram a agitação social no curto prazo, mas geraram uma vasta camada de pessoas dependentes, com pouco senso de responsabilidade. À medida que o espírito cívico murchava e a capacidade militar e administrativa declinava, o império se desgastou lentamente sob conflitos internos e pressões externas, até se fragmentar e colapsar. Elevar o entretenimento acima de tudo não é um passatempo inofensivo: é um veneno lento que corrói os alicerces do Estado, faz as pessoas esquecerem seu dever de moldar a história e as transforma em espectadores passivos do consumo.
O espelho da história projeta uma longa sombra sobre a sociedade contemporânea. Os Estados Unidos — berço do entretenimento de massa moderno e lar de Hollywood, da música pop e de uma indústria esportiva global — há muito dominam os fluxos culturais mundiais. Hollywood moldou o gosto global por décadas, disseminando valores consumistas e hedonistas por meio de seus filmes e consolidando seu lugar como pilar central do soft power americano. Contudo, esse modelo também aprofundou as divisões sociais internas e o vazio espiritual: reality shows, a gratificação instantânea das redes sociais, a onipresença da cultura do fast food — incontáveis pessoas passam horas por dia imersas em entretenimento passivo, em vez de buscarem criação ou contribuição significativas.
Enquanto isso, a China e o restante do Leste Asiático fecharam rapidamente a lacuna nesse campo. O entretenimento online explodiu, com microdramas, reality shows, transmissões ao vivo e incontáveis outros formatos se proliferando. Seu alcance e influência cultural já rivalizam — e em alguns casos até superam — os mercados ocidentais tradicionais. A indústria chinesa de microdramas explodiu nos últimos anos: até 2024, seu valor de mercado já havia ultrapassado em muito a receita de bilheteria doméstica, com centenas de milhões de usuários regulares vidrados nessas produções. Esses formatos cativam o público com tramas de ritmo acelerado e estímulo sensorial incessante: são baratos e altamente viciantes.
Ao mesmo tempo, uma cultura de culto à comida e de consumismo em torno de itens essenciais para o estilo de vida “ficar deitado” se espalhou silenciosamente por todo o país. O movimento “ficar deitado” surgiu inicialmente como uma reação à competição feroz e à involução, mas na prática frequentemente acaba se degenerando em um estilo de vida de baixas aspirações e baixa criatividade, consolidando ainda mais a dependência de entretenimento e gratificação instantânea.
Ainda mais alarmante é o projeto de IA-ismo alardeado por oligarcas da tecnologia. Eles garantem que a IA e a robótica inaugurarão uma era de abundância material inimaginável, na qual o trabalho será um hobby opcional, e tudo o que as pessoas precisarão fazer é aproveitar a vida, gastar e se divertir. Figuras como Elon Musk preveem que, no futuro, o trabalho será “opcional”, com rendimentos altos universais sustentando uma sociedade “pós-trabalho”. Essa visão soa utópica, mas esconde riscos enormes: quando a IA assumir o papel de principal motor da produção e da criação, as pessoas perderão o senso de propósito derivado do esforço e o crescimento que vem do domínio de habilidades, e vasta parcela da população será reduzida a meros consumidores. A história mostra repetidas vezes que grupos sem um propósito ou um senso de responsabilidade caem rapidamente no vazio espiritual e na decadência moral. O entretenimento e o consumo excessivos amplificam esse efeito: a perspectiva das pessoas muda de uma ambição ativa para um prazer passivo, seus corpos enfraquecem por falta de exercício e autodisciplina, e sua criatividade murcha com o conteúdo homogêneo que recebem dos algoritmos.
Imagina esse futuro: o dia a dia é inundado por vídeos curtos gerados por IA, entretenimento de realidade virtual e alimentos e bens de consumo personalizados. As pessoas têm acesso a confortos básicos e até bens de luxo sem fazer nenhum esforço, mas, ao fazer isso, perdem a motivação interior para enfrentar desafios, resolver problemas e criar sentido para a própria vida. A sociedade estará repleta de “sacos de vinho e sacos de arroz” — indivíduos cujos corpos se tornam frágeis por passar muito tempo sentados e comer em excesso, cujos espíritos se tornam superficiais pela falta de pensamento profundo. Os alicerces da civilização — inovação, coesão e resiliência — serão abalados. A devassidão da Babilônia e as arenas de Roma ganharam nova vida nas telas que passamos rolando o tempo todo e nas refeições entregues em casa.
Para deixar claro, a própria tecnologia não é a culpada. A questão é como escolhemos usá-la: deixaremos que a IA se torne uma ferramenta que liberta a criatividade humana, ou uma que gera dependência e entorpece a mente? A história mostra que civilizações viciadas em excesso em entretenimento e consumo frequentemente desmoronam silenciosamente, mesmo quando parecem prósperas por fora. Ao entrarmos na era da IA, a ameaça que enfrentamos não é apenas a transformação tecnológica, mas a erosão de valores que costuma acompanhá-la. Só retomando as tradições da criação, da responsabilidade e da moderação, a humanidade conseguirá evitar repetir os erros do passado e manter a alma da civilização forte, mesmo em tempos de abundância. Caso contrário, a devassidão da supremacia do entretenimento e do consumo se converterá numa magnífica abertura para a sua própria queda.