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Mestre do Dharma Gangxiao: O Profundo Mistério do I Ching — Psicologia, Capítulo 2: O Princípio Psicológico de "Os Benevolentes Veem a Benevolência, os Sábios Veem a Sabedoria": "Selecionando a Informação de que se Precisa"

O Princípio Psicológico de "Os Benevolentes Veem a Benevolência, os Sábios Veem a Sabedoria": "Selecionando a Informação de que se Precisa"

Capítulo 2: O Princípio Psicológico de "Os Benevolentes Veem a Benevolência, os Sábios Veem a Sabedoria": "Selecionando a Informação de que se Precisa"

Há um princípio bem consolidado na psicologia: as pessoas selecionam — e acreditam em — a informação que atende às suas necessidades. Se aceitamos esse princípio, podemos oferecer uma explicação racional para a adivinhação do I Ching.

1. O Argumento do Professor Aronson

Elliot Aronson é um renomado psicólogo social estadunidense e professor de psicologia na Universidade da Califórnia. Seu livro The Social Animal foi lançado pela primeira vez em 1972 e passou por três edições em apenas oito anos. Nele, ele demonstra de forma rigorosamente científica o princípio de que "as pessoas selecionam as informações de que precisam".

Comecemos com alguns exemplos concretos para ilustrar o princípio, para depois passarmos ao argumento formal do Professor Aronson.

Exemplo 1. Um certo homem — vamos chamá-lo de A — pegou dinheiro emprestado para comprar um carro, mas, com recursos limitados, só pôde pagar por um modelo básico. Todos os seus colegas perceberam o mau desempenho do carro. Um dia, B comentou com ele: "Esse carro realmente não é muito bom." A explodiu: "O que você sabe? Quantos carros você já viu na vida?" E então despejou quatro ou cinco supostas qualidades do carro — várias das quais mal podiam ser chamadas de qualidades — com uma expressão que sugeria que não o trocaria por um modelo de luxo, mesmo que lhe oferecessem. Ele se apegou a cada ponto positivo do seu carro barato — as informações de que precisava para justificar a compra — enquanto ignorava completamente as vantagens de veículos melhores.

Exemplo 2. Nos primeiros anos das centrais telefônicas comutadas por programa na China, conseguir instalar uma linha telefônica era, ao mesmo tempo, um símbolo de status e algo muito difícil de obter. Em cantonês, o número 8 tem uma pronúncia quase idêntica a fa (发, "prosperar"), o que o torna auspicioso. Números de telefone que continham o dígito 8 já foram leiloados pela empresa estatal de telecomunicações — a mesma empresa que publicamente condenara a superstição. O número 4, por sua vez, tem uma pronúncia parecida com si (死, "morte") e era considerado azarado. Muitas pessoas — funcionários públicos, intelectuais, empresários bem-sucedidos — estavam dispostas a pagar valores muito altos por um número que contivesse o 8. Um homem planejava fazer o mesmo, mas, quando foi verificar a disponibilidade, não restavam mais números com o dígito 8. Só sobraram números com 4. Se os recusasse, não conseguiria uma linha telefônica tão cedo. Por isso, aceitou um número com 4.

Ele há muito sabia de todas as associações auspiciosas do 8. Mas agora que o seu próprio número tinha o dígito 4, não podia simplesmente dizer: "Eu escolhi a morte." Em vez disso, começou a construir uma argumentação a favor do 4, reunindo evidências de que "o 4, na verdade, não tem nada de mau". Primeiro: na notação musical numérica, o 4 é pronunciado fa, carregando o mesmo sentido de prosperar e florescer. Segundo: o algarismo arábico 4 se parece com a parte superior do caractere 发. Ao mesmo tempo, começou a reunir razões para desconfiar do 8. Primeiro: sim, os falantes de cantonês pronunciam o 8 como fa, homófono de "prosperar" — mas no dialeto local daqui, ninguém o pronuncia assim, por isso ele não carrega esse significado. Segundo: no dialeto local, quando algo dá errado ou não dá certo, as pessoas dizem que foi ba le (叭了) — o som de um balão ou de uma garrafa estourando, que começa com o fonema ba. Ora, o 8 não é pronunciado ba? Então o 8 significa que as coisas estouraram, desmoronaram, deram errado. Ele estava selecionando exatamente as informações que lhe convinham.

O argumento do Professor Aronson é mais formal e sistemático:

Em 1979, ocorreu um acidente em uma usina nuclear na Pensilvânia. O reator ficou instável por vários dias, ameaçando a vida e a segurança de milhões de moradores da região. Imagine que você mora perto da usina. Você poderia deixar a região e encontrar uma moradia temporária — mas isso seria caro e difícil, e você perderia o emprego. Além disso, mesmo que fosse embora, talvez já tivesse sido exposto à radiação. Enquanto isso, relatos conflitantes sobre o perigo circulam por toda parte. Alguns vizinhos decidem evacuar; outros simplesmente dão de ombros ao risco. A Comissão Reguladora Nuclear dos EUA garante ao público que apenas uma quantidade insignificante de material radioativo foi liberada e que a probabilidade de um desastre grave é extremamente pequena. Alguns dias depois, as autoridades recomendam a evacuação de crianças e mulheres grávidas, acrescentando que o aviso é puramente preventivo e que o perigo continua mínimo.

Aronson levantou a hipótese de que a mensagem "o perigo é extremamente pequeno" era tremendamente útil para os moradores próximos à usina: permitia que respirassem mais aliviados e evitassem o enorme transtorno de se mudar e procurar um novo emprego. Eles tenderiam fortemente a aceitar e acreditar nessa mensagem. Já para os moradores mais distantes, essa mesma mensagem era menos relevante para a sua realidade e menos útil, por isso se mostravam mais céticos: tendiam a vê-la como uma manobra do governo para acalmar quem morava perto da usina. Aronson testou essa hipótese por meio de pesquisas, e os resultados a comprovaram. Enquanto isso, na distante Califórnia, circulavam rumores de que o acidente já havia causado inúmeras mortes e de que a Comissão Reguladora Nuclear dos EUA era incompetente.

Os métodos de pesquisa e a análise de Aronson foram cientificamente rigorosos, e seus resultados confirmaram que as pessoas que moravam perto da usina selecionaram e acreditaram nas informações de que precisavam: o perigo era pequeno e não havia necessidade de se mudar.

2. O Argumento do Dr. Freud

Sigmund Freud nasceu em 1856, na Morávia, mudou-se para Viena aos quatro anos, ingressou na Universidade de Viena para estudar medicina em 1873 e obteve seu doutorado em 1881. Por formação, era um cientista formidável, e viria a fundar a psicologia psicanalítica. O estudioso soviético M. M. Bakhtin observou certa vez: "Quem deseja compreender mais profundamente a vida espiritual do homem ocidental moderno não pode ignorar a psicanálise; ela se tornou uma das marcas mais indeléveis de nossa era." E acrescentou: "Para a maioria das pessoas, Freud é o primeiro e o último psicólogo que conhecem" (Um Panorama do Freudismo, trad. Wang Hao, Editora Popular de Liaoning, 1987, p. 4). Nos Estados Unidos — país do outro lado da divisão ideológica da Guerra Fria —, o psicólogo Duane Schultz escreveu, na edição revisada de 1981 de Uma História da Psicologia Moderna: "Após sua visita à Universidade Clark, o impacto de seu sistema foi imediatamente sentido." Segundo Bakang, depois de 1910, os jornais e revistas americanos estavam saturados das ideias de Freud, e após 1920 mais de duzentos livros sobre psicanálise freudiana foram publicados apenas nos Estados Unidos. Na China, Wang Hao reconheceu: "No Ocidente, Freud é reverenciado como uma das maiores figuras modernas, ao lado de Einstein" (Prefácio do Tradutor, Um Panorama do Freudismo).

Sendo Freud um cientista rigorosamente formado e um psicólogo de enorme reputação, vejamos como ele abordou o princípio de "selecionar a informação necessária."

Outra forma de dizer "as pessoas selecionam a informação de que precisam" é esta: as pessoas descartam a informação de que não precisam.

Freud argumentou em seus escritos que aquilo que esquecemos é precisamente o de que não precisamos. Se você nunca teve a intenção real de fazer algo — se não tem nenhuma necessidade psicológica disso —, é muito provável que o esqueça. Em contrapartida, a informação que mais nos importa nunca é esquecida; nós a selecionamos, priorizamos e retemos automaticamente. Ninguém esquece um encontro com a pessoa amada — a menos que já tenha deixado de se importar. Freud chegou ao ponto de afirmar que, se alguém esquece algo que a pessoa amada lhe pediu para fazer, pode-se apostar que o relacionamento está prestes a terminar. Uma pessoa pode se queixar de ter uma memória péssima, incapaz de reter um número de telefone de sete ou oito dígitos — mas no dia em que uma moça que admira lhe diz seu número de celular de onze dígitos, ele o memoriza na hora e o recorda por muito tempo. Um cientista pode lembrar cada detalhe de um experimento e ser completamente disperso quanto aos assuntos cotidianos.

Na visão de Freud, uma pessoa não apenas seleciona, nota e acredita na informação de que precisa — em casos extremos, pode exagerá-la ou fabricá-la pura e simplesmente. Os delírios, alucinações e fantasias paranoides dos doentes mentais são exemplos clássicos. Uma paciente adolescente com delírio erotomaníaco estava absolutamente convencida de que o rapaz da casa ao lado estava apaixonado por ela. Ele havia passado diante da casa dela uma única vez, acenando com a cabeça e sorrindo polidamente; ela se agarrou a esse pequeno gesto, inflou-o e o interpretou como uma declaração de amor. Quando ele lhe disse claramente que não era essa a sua intenção, ela reinterpretou a rejeição como um teste à sua devoção. Mesmo no hospital psiquiátrico, confundia outros pacientes com ele, acreditando que viera visitá-la. Ela não apenas selecionou a informação de que precisava — embelezou-a e inventou mais para que tudo se encaixasse.

Como a teoria freudiana já é amplamente conhecida, não há necessidade de nos alongarmos mais sobre isso aqui.

3. O Argumento da Psicologia Médica

O livro-texto oficial do Ministério da Saúde da China, Psicologia Médica (Li Xintian, Editora Médica do Povo, 1991), discute a racionalização — também chamada de "arrumar desculpas" ou "encontrar um modo de enquadrar as coisas" — no contexto do enfrentamento psicológico e do equilíbrio mental. Trata-se, naturalmente, de uma estratégia para lidar com reveses. Ao se deparar com um revés, uma pessoa reúne uma série de motivos e fragmentos de informação para se justificar. O objetivo não é explicar a situação aos outros — fazê-los acreditar que o fracasso não foi culpa sua —, mas restaurar o equilíbrio interno. Está se convencendo, explicando o revés para si mesma, fazendo-se crer que não foi obra sua. Em suma, está em busca de informações úteis e acreditando naquilo que serve aos seus interesses.

Na fábula de Esopo, uma raposa que não consegue alcançar as uvas maduras as declara azedas — "De qualquer forma, uvas azedas não eram o que eu queria" — e segue seu caminho. O mecanismo complementar, o pensamento do "limão doce", opera no sentido inverso: você faz questão de afirmar que tudo aquilo que já possui é maravilhoso.

Transferir a culpa é outra forma de fabricar desculpas: você procura a causa do fracasso em toda parte, menos em si mesmo. Um diretor de fábrica conduz uma empresa próspera à ruína ao longo de vários anos. Se alguém o critica, ele se agarra a detalhes mínimos e convenientes que ninguém mais sequer notaria, e os apresenta como prova de que não tem culpa. Alegará ter cem razões pelas quais o colapso não foi responsabilidade sua. Encontrar razões fora de si, em vez de examinar a própria conduta, é precisamente o de que ele precisa naquele momento.

4. A Perspectiva do I Ching

O Xici Zhuan (Comentário sobre as Sentenças Anexadas, Seção Superior) do I Ching diz: "Os benevolentes veem nele a benevolência; os sábios veem nele a sabedoria. O povo comum o usa todos os dias sem compreendê-lo. Por isso, o Caminho da pessoa superior é raramente conhecido." Aqui o caractere clássico 知 (zhī) equivale ao moderno 智 (zhì), "sabedoria". Em outras palavras: os benevolentes veem a benevolência, os sábios veem a sabedoria; todas as pessoas sob o céu o usam todos os dias sem compreendê-lo, e por isso o verdadeiro Caminho de que a pessoa superior fala é conhecido por tão poucos.

Esta é a origem do ditado chinês "os benevolentes veem a benevolência, os sábios veem a sabedoria" — uma forma de dizer que pessoas diferentes veem coisas diferentes na mesma situação. Os benevolentes notam a benevolência, os sábios notam a sabedoria: cada um seleciona a informação que corresponde ao que precisa.

Considere uma planta — uma peônia, por exemplo. Um biólogo nota sua posição na hierarquia taxonômica: reino, filo, classe, ordem, família, gênero, espécie. Um herbalista observa suas propriedades e funções: é quente ou fria? Amarga ou doce? Para que serve? Um pintor percebe suas qualidades estéticas. Isso é "os benevolentes veem a benevolência, os sábios veem a sabedoria" em ação.

Outro exemplo: o jovem erudito Ji Xiaolan se preparava para os exames imperiais. Consultou o I Ching e obteve o hexagrama Kun (困, "Cercado") — um sinal sinistro. A terceira linha era uma linha móvel, com o seguinte texto: "Cercado entre pedras, apoiando-se em arbustos espinhosos. Entra em seu palácio e não vê sua esposa. Desgraça." Sai para abrir caminho no mundo — avança, e pedras bloqueiam o passo; recua, e espinhos o cercam por todos os lados. Sem opções, volta para casa e descobre que a esposa fugiu. Leitura sombria, sem dúvida.

Sua noiva, ao ver esse hexagrama, pediu que ele não prestasse o exame. Além da óbvia falta de bons auspícios, ela raciocinou que, se ele passasse, poderia romper o noivado — o que seria a maior desgraça de todas. Ji Xiaolan, porém, estava decidido e transbordava de confiança. "Cercado entre pedras"? Tudo bem — que o tal Shi ficasse em primeiro lugar, e ele em segundo. Ou, se Shi ficasse em segundo, ele se contentaria com o terceiro. "Não vê sua esposa, desgraça"? Ainda não era casado, então não se aplicava a ele. Além disso, o texto do hexagrama também diz "a pessoa grande encontra boa fortuna" — uma pessoa de grande estatura não conhecerá calamidade, e sim prosperidade.

Esse mesmo hexagrama, lido de formas diferentes por pessoas diferentes, é a aplicação prática do ditado "os benevolentes veem a benevolência, os sábios veem a sabedoria". (Devo observar que adaptei levemente essa história, fazendo da noiva de Ji Xiaolan a pessoa que realizou a adivinhação.)

"Os benevolentes veem a benevolência, os sábios veem a sabedoria" é simplesmente a forma chinesa de expressar o princípio psicológico de que as pessoas selecionam e creem na informação de que precisam. As duas formulações são idênticas em significado — perfeitamente equivalentes.

Esse princípio também fundamenta certos métodos modernos de avaliação psicológica. E é, em essência, o cerne da adivinhação pelo I Ching. Para os benevolentes, você os ajuda a ver a benevolência e aponta onde ela se encontra. Para os sábios, você os ajuda a ver a sabedoria e mostra onde encontrá-la. Só assim se convencerão de verdade e reconhecerão sua perspicácia. É exatamente aqui que reside o poder dos oito trigramas.

Até agora, apenas expusemos a afirmação central, que por si só pode não convencer totalmente. Nas seções a seguir, vamos testá-la à luz de vários métodos modernos de avaliação psicológica.