Meditação Andante: Um Guia de Thich Nhat Hanh
Thich Nhat Hanh
Por: Thich Nhat Hanh
A meditação andante é a prática de meditar enquanto se caminha. Dê passos pequenos, bem relaxado, movendo-se devagar com um sorriso suave nos lábios. Abra o coração para a experiência da paz. Você vai sentir de verdade como é simples estar presente consigo mesmo. Seus passos serão os da pessoa mais saudável e despreocupada do mundo. Todas as suas preocupações e ansiedades podem se soltar enquanto você caminha. Aprenda a caminhar de um jeito que te leve, passo a passo, à sua própria libertação. Com um pouco de atenção plena e um coração inclinado para a alegria, qualquer um consegue!
Indo Sem Chegar — Simplesmente Caminhando
No dia a dia, a gente frequentemente se sente pressionado por todos os lados, sempre correndo de um lado para o outro. No entanto, raramente paramos para nos perguntar por que precisamos viver assim.
Quando você pratica a meditação andante, caminha com o espírito de um andarilho, sem destino nem direção particular no tempo ou no espaço. O propósito da meditação andante é o próprio caminhar — é o ato de caminhar que importa, não chegar a algum lugar. Cada passo é vida. Cada passo é paz e alegria. Por isso não há pressa. Por isso a gente desacelera. Embora pareçamos estar avançando, como não somos puxados por nenhum objetivo, na verdade não vamos a lugar nenhum. E assim podemos sorrir enquanto caminhamos!
Passos Sem Fardo — Passadas Sem Preocupação
Na vida cotidiana, nossos passos carregam tanta ansiedade e medo. A vida pode parecer uma corrente sem fim de momentos inquietos, e por isso nossos passos perdem a leveza natural.
Que mundo bonito é este! Por toda parte há estradas e caminhos agraciados com a elegância da própria natureza. Você sabe quantas estradas de terra são margeadas por bambu verde ou serpenteiam por entre arrozais? Você sabe quantas trilhas na floresta estão cheias de plantas coloridas que oferecem sombra fresca? Tudo isso foi preparado para nós. Mas como nossas mentes não estão livres de preocupação e nossos passos não são leves e soltos, não conseguimos aproveitar nada disso de verdade.
A meditação andante é sobre aprender a voltar a caminhar com leveza e serenidade. Você se lembra como caminhava quando tinha um ano de idade, com aquele andar trôpego e oscilante? Aprender meditação andante é, de certo modo, aprender a caminhar de novo. Depois de algumas semanas de prática, você será capaz de dar passos firmes e estáveis, com paz e conforto. A seguir, tentei oferecer algumas orientações para ajudar você a praticar a meditação andante. Que você consiga!
Soltando o Peso das Preocupações — Sacudindo a Poeira e os Fardos
Se eu tivesse o olho da sabedoria do Buda e pudesse ver todas as coisas com clareza, conseguiria detectar traços de preocupação e aflição em cada passo que você já deu, assim como um cientista olhando pelo microscópio vê os incontáveis microrganismos contidos em uma única gota d'água. Aprenda a caminhar de modo que suas pegadas carreguem apenas as marcas da leveza, da alegria e da completa liberdade. Para isso, é preciso aprender a soltar — soltar a tristeza, soltar a ansiedade. Esse é o segredo da meditação andante.
Caminhar na Terra Pura — Pisando na Terra Pura
Se eu tivesse poderes sobrenaturais, poderia te levar para visitar a Terra da Felicidade Suprema de Amitabha, ou o céu cristão. Tenho certeza de que tudo lá seria maravilhoso e puro, com paisagens magníficas. Mas se você chegasse lá, como seriam suas pegadas? Você tem certeza de que seus passos na Terra Pura não carregariam ainda as marcas de ansiedade e medo trazidas deste mundo Saha?
Se você caminhasse na Terra Pura com passos sobrecarregados de ansiedade e preocupação, você a poluiria, destruindo sua pureza original! Para honrar a Terra Pura, é preciso primeiro aprender a caminhar com passos pacíficos e despreocupados aqui mesmo, neste mundo Saha.
O Mundo É o Mundo Puro — Este Mundo É a Terra Pura
Tenho certeza de que compartilhar um segredo não ofende nem o Buda nem Deus. O segredo é este: se você consegue caminhar por este mundo com passos pacíficos e despreocupados, não precisa ir a nenhuma chamada de Terra Pura ou céu. A razão é simples — tanto o mundo de Saha quanto a Terra Pura surgem da mente. Quando você habita a paz, a alegria e a liberdade, o mundo de Saha se transforma na Terra Pura, e não há lugar nenhum para onde precise ir. Mesmo que eu tivesse poderes sobrenaturais, não precisaria usá-los.
O Mundo Contém Todas as Maravilhas da Terra Pura —
Este Mundo Já Contém Todo o Esplendor da Terra Pura
Para encontrar paz interior, alegria e liberdade, é preciso aprender a soltar as tristezas e aflições que te tornam infeliz. Primeiro, saiba que todo o esplendor que espera encontrar numa Terra de Buda já está bem aqui, neste mundo. É só que nossa dor e nossas aflições ofuscam o olhar, por isso não conseguimos enxergá-lo.
Sempre preferi este mundo à Terra Pura, pois amo o que ele oferece: limoeiros, laranjeiras, bananeiras, pinheiros, damasqueiros e salgueiros. Alguns dizem que na Terra Pura há lagos de lótus preciosos, árvores feitas de sete joias, estradas pavimentadas de ouro e incontáveis pássaros celestiais. Mas nada disso me atrai especialmente. Prefiro não caminhar por estradas de ouro e prata — nem as de mármore como as deste mundo me seduzem. O que eu realmente amo são os caminhos de terra ladeados por grama verde. Amo como o cascalho e as folhas caídas cobrem a terra. Amo os arbustos baixos, os riachos, as cercas de bambu e os pequenos barcos.
Quando era noviço, disse ao meu mestre: «Se não há limoeiros na Terra Pura, então não quero ir». Meu mestre sorriu e balançou a cabeça. Talvez tenha achado que eu era um menino teimoso! Mas não disse se eu estava certo ou errado. Mais tarde, quando aprendi que tanto este mundo quanto a Terra Pura são criados pela mente, como fiquei feliz! Pois sabia que na Terra Pura também há limoeiros e caramboleiras crescendo à beira de caminhos de terra e grama.
Sei que, enquanto eu estiver desperto e atento, e caminhar com serenidade, posso encontrar a minha Terra Pura. É por isso que pratico meditação andante todos os dias.
O Selo de um Imperador — O Selo Imperial
Escolha um bom caminho para praticar meditação andante: à beira de um rio, num parque, num terraço de cobertura, num bosque ou ao longo de uma cerca de bambu. Todos são ideais, mas não são absolutamente necessários. Conheço muitas pessoas que praticam meditação andante em campos de trabalho forçado, até mesmo dentro de celas de prisão. O ideal é um caminho que não seja muito acidentado nem muito íngreme. Diminua o ritmo e foque nos seus passos, percebendo cada movimento com clareza. Caminhe sempre em frente com dignidade, calma e conforto. Esteja completamente atento a cada marca que os seus pés deixam na terra. Caminhe como o Buda caminhava: apoie cada passo na terra como um imperador coloca o seu selo supremo num decreto real. Um decreto real pode trazer felicidade ou infortúnio às pessoas, conceder favores ou destruir vidas. Os seus passos têm esse mesmo poder. Se os seus passos forem pacíficos, o seu mundo terá paz. E, uma vez que você consiga dar um passo pacífico, poderá dar dois, ou até cento e oito passos pacíficos.
Os Seus Passos São o Mais Importante — E São Eles Que Mais Importam
Qual é a atividade mais importante da sua vida? Passar num exame, ter um carro ou uma casa, ou conseguir uma promoção no trabalho? Tantas pessoas já passaram em exames, compraram casas e carros, conseguiram promoções — e ainda assim não encontram paz de espírito, alegria ou felicidade para si. O mais importante na vida é descobrir o tesouro da paz, da alegria e da felicidade, e depois compartilhá-lo com os outros, com todos os seres. Para ter paz e alegria, é preciso encontrar a paz em cada passo que você dá. Os seus passos são o que mais importam, porque determinam tudo. Deixe-me acender incenso e, com as palmas unidas em prece, rezar pelo seu sucesso.
Cada Passo Fará Surgir uma Brisa — A Cada Passo, uma Brisa Suave Se Levanta
Num centro de meditação, há uma grande pedra na entrada do caminho, gravada com as palavras "A cada passo, uma brisa suave se levanta." Que esplêndido, que belo! Esta brisa fresca varre a febre da aflição da sua jornada pelo nascimento e pela morte. Ela traz a você a paz e a libertação que são o próprio sabor da alegria e da liberdade.
Querido amigo, você não gostaria de caminhar pelo nosso mundo desta forma?
Esteja Atento para Deixar Ir — A Consciência é o Caminho para a Liberdade
Nossas vidas estão atadas à dor e à aflição, e ansiamos por nos libertar delas. Mas como? Dê passos firmes e seguros. Dê passos corajosos. Esteja atento e resoluto — reconheça claramente o fardo da sua tristeza e das suas preocupações, e fortaleça sua determinação de pôr esse fardo no chão. Pergunte-se: "Por que carrego voluntariamente todo esse peso nos ombros?"
Reconheça que você realmente está carregando o peso da tristeza e da aflição, e seja compassivo consigo mesmo. Sinta essa compaixão sempre que notar que está se encaminhando para mais uma rodada de dor e preocupação. Compreenda que essas aflições não resolvem nenhum dos seus problemas — elas apenas bloqueiam sua paz e sua alegria. Com essa consciência, decida soltá-las. No instante em que você quiser de verdade, conseguirá. É tão simples quanto tirar um impermeável e sacudir as gotas que ficam nele.
Sorria como um Buda — Sorria como o Buda Sorriu
Quando você se despedir das suas tristezas e preocupações, um sorriso virá ao seu rosto. Pode ser apenas o começo mais tênue de um sorriso, mas deixe-o permanecer nos seus lábios — sorria como o Buda sorriu! Aprenda a caminhar como o Buda caminhou. Sorria como o Buda sorriu. Você consegue — por que esperar até se tornar um Buda? Seja um Buda aqui e agora!
Escrevi sobre o sorriso e seus efeitos em O Milagre da Atenção Plena. Esse tipo de sorriso é o fruto da consciência, da paz e da alegria espiritual — e, por sua vez, ele os nutre e sustenta. É verdadeiramente maravilhoso, além de qualquer compreensão! Traz paz e alegria não apenas a você, mas a todos ao seu redor. Transforma o mundo Saha em Terra Pura. Ao praticar a meditação andando, não se esqueça de sorrir. Isso manterá seus passos leves e soltos, e trará ainda mais consciência, paz e alegria. Preste atenção clara à sua respiração — ela nutrirá cada passo que você der. A consciência da respiração é o método maravilhoso para sustentar sua atenção plena e sua calma.
O Fio de Pérolas — O Fio de Um Colar de Pérolas
Seu sorriso e seus passos pacíficos são pérolas brilhantes e radiantes. Por mais belas que sejam, elas permanecem separadas umas das outras. A respiração é o fio que enfia essas pérolas num colar, de modo que não fiquem mais separadas. Se você conseguir se manter consciente da sua respiração, os frutos da sua meditação andando serão abundantes!
Respiração — Contando Enquanto Caminha — Contando a Respiração Enquanto Caminha
Respirar com atenção é diferente de respirar sem ela. Quando você respira com atenção plena, você sabe que está respirando. Se a respiração é longa, você sabe que é longa. Se é curta, você sabe que é curta. Se é comum, você sabe que é comum. Você pode se perguntar: "Como posso prestar atenção tanto na minha respiração quanto na minha caminhada ao mesmo tempo?" Pode — basta sincronizar a respiração com os passos. Em vez de contar as respirações, conte seus passos. Em outras palavras, você mede a duração de cada respiração contando quantos passos dá durante um ciclo respiratório. Conte quantos passos você dá em cada expiração, e quantos em cada inspiração. Este é o método que usei quando comecei a meditação andando, há quinze anos, e agora o compartilho com você. Respire normalmente e caminhe um pouco mais devagar que o seu ritmo habitual — mas não tão devagar que pareça antinatural. Não tente controlar a respiração. Caminhe assim por alguns minutos e perceba quantos passos dá enquanto os pulmões se enchem de ar, e quantos enquanto se esvaziam. Assim, sua atenção abraça tanto a respiração quanto os passos. Você permanece consciente de ambos, e o vínculo entre eles é a contagem. Seu sorriso traz paz e alegria a cada passo e a cada respiração. Ele ajuda a ancorar sua atenção e é, ele mesmo, um objeto de atenção. Depois de algumas horas de prática sincera, você descobrirá que respiração, contagem, passos e sorriso se fundem em um vasto e equilibrado estado de atenção plena. Esta é a quietude que a meditação andando cria — quatro elementos fundidos em um.
Cadência
Vou compartilhar algumas dicas sobre a contagem. Ajustar sua velocidade de caminhada torna tudo muito mais fácil. Sua inspiração ou expiração pode não abranger três passos completos — talvez apenas dois e meio. Se for o caso, você pode acelerar um pouco o passo para que uma respiração cubra exatamente três passos. Ou pode desacelerar, dando apenas dois passos por respiração. Uma vez que encontre esse novo ritmo, simplesmente respire e conte nesse compasso.
Sua expiração pode ser mais longa do que sua inspiração, especialmente quando você está começando a prática. Mas depois de se observar algumas vezes, você se acomodará em um ritmo natural de respiração que combina com seus passos. Pode ser três passos na inspiração e três na expiração (3-3), ou dois na inspiração e três na expiração (2-3). O primeiro mantém as respirações equilibradas; o segundo lhe dá uma inspiração um pouco mais curta. Se você expirar por três passos e inspirar por dois, então 2-3 é o seu ritmo. Respirar assim é confortável para os pulmões, e você pode caminhar por muito tempo sem se cansar.
Quando você sobe ou desce uma ladeira, sua respiração pode se tornar irregular. Nesse caso, simplesmente ajuste seu ritmo ao que os pulmões precisam naquele momento.
Obtendo Mais Ar Fresco
Depois de alguns dias, experimente uma pequena mudança: dê um passo a mais durante cada expiração. Por exemplo, se seu ritmo normal é 2-2, mude para 2-3 por quatro ou cinco respirações, e depois volte ao seu padrão original 2-2. Mover mais ar pelos pulmões do que o habitual faz você se sentir mais saudável. Na respiração normal, raramente esvaziamos os pulmões por completo — algum ar viciado sempre permanece no fundo. Dar um passo a mais na expiração ajuda a expelir esse ar. Mas não exagere. Basta quatro ou cinco vezes; mais que isso e você se cansará. Depois de quatro ou cinco ciclos, volte ao seu ritmo normal de respiração. Aguarde cerca de cinco minutos e tente novamente. Lembre-se: adicione o passo extra na expiração, não na inspiração. Depois de praticar assim por alguns dias, você pode sentir vontade de adicionar um passo extra também na inspiração. Seus pulmões podem parecer dizer: "Ficaríamos felizes em mudar para um ritmo 3-3 em vez de 2-3." Experimente, mas somente quando esse impulso vier naturalmente. A mudança será agradável. Novamente, faça apenas quatro ou cinco vezes antes de voltar ao ritmo 2-2. Depois de alguns minutos, comece com o ritmo 2-3, e depois mude para 3-3.
Ao longo de alguns meses, seus pulmões ficarão mais saudáveis e sua circulação irá melhorar. Seus velhos hábitos respiratórios se transformarão. Por exemplo, você pode passar de um ritmo 2-2 para 3-3 — e o 3-3 se tornará seu novo ritmo normal durante a meditação andante!
Caminhar, Ficar de Pé — Cada Ato Sustenta Nosso Trabalho de Realização
Sugeri antes que você caminhe como o Buda, como se cada passo fosse colocado por ele. Se cada passo deixar uma marca de paz, alegria e inocência sobre a terra, então este próprio mundo se torna a Terra Pura. Em 1968, tive a chance de visitar o Pico do Abutre (Monte Linn Thuu), onde Shakyamuni Buda outrora viveu. Caminhei sozinho pelo caminho de terra que ele havia percorrido. Fiquei de pé onde ele havia vivido e vi a rocha onde ele se sentara para ensinar o Dharma tantas vezes. Sentei-me ali, observando os tons vermelhos do sol poente mergulhar abaixo do horizonte, sabendo que ele havia observado aquele mesmo sol se pôr incontáveis vezes. Senti que, se não conseguisse ficar de pé, caminhar, sentar e ver as coisas exatamente como o Buda fazia, não poderia dar continuidade à obra do Tathagata. E o mesmo vale para todos nós. Se você não consegue ficar de pé, caminhar, sentar e observar como o Buda, não pode cumprir sua missão — não pode "nutrir e honrar esta semente sagrada, guiando as gerações futuras a reverenciar o Buda."
Despertar a consciência nos outros não vem de pregar ou explicar escrituras. Acontece na forma como você caminha, fica de pé, senta e olha.
Uma Flor de Lótus Floresce Sob Cada Passo
Quando um artista ou escultor cria uma imagem do Buda sentado sobre um lótus, ele não está apenas expressando reverência. Está fazendo o possível para capturar o estado interior do Buda enquanto ele se senta: um estado de paz absoluta e felicidade suprema. Podemos sentar em meditação várias vezes ao dia, mas poucos de nós nos sentimos verdadeiramente pacíficos e à vontade. Poucos conseguem sentar com a mesma presença digna do Buda. A maioria de nós fica inquieta depois de um tempo, como se estivesse sentada sobre uma chapa quente. Mas, seja sobre grama ou pedra, o Buda sempre pareceu tão sereno como se estivesse descansando sobre um lótus.
Quando ingressei pela primeira vez na vida monástica, meu professor me ensinou a refletir sobre este gatha antes de sentar em meditação: "Sentado aqui em postura reta, prometo que todos os seres se sentarão no assento de Bodhi, com suas mentes livres de apego." Era só depois de recitar este verso que eu lentamente me sentava. É assim que aprendemos a sentar como o Buda. Tenho este conselho para os budistas da Terra Pura: sentem-se no trono de lótus agora mesmo, neste exato momento — não esperem até renascerem na Terra Pura. Renascam no lótus a cada momento que passa; não esperem até o limiar da morte. Se perceberem que podem renascer no lótus aqui e agora, a existência da Terra Pura deixará de estar em dúvida. O mesmo se aplica ao caminhar! O nascimento do Buda é frequentemente retratado com ele dando seus primeiros sete passos sobre a terra, com um lótus florescendo sob cada pé. Nós também devemos deixar que nossos passos pacíficos deem origem a lótus em flor. Da próxima vez que praticar a meditação andante, tente ver um lótus brotando sob cada passo, assim como aconteceu com o Buda recém-nascido. Não pense que esta visualização não traz benefício. Se seus passos são pacíficos, esses lótus em flor são reais. Você é um Buda, e todos os demais também são. Eu não inventei isso — o próprio Buda disse. Ele ensinou que todos os seres possuem a sabedoria e a virtude do Tathagata, o potencial para o despertar. Praticar a meditação andante é praticar como viver em atenção plena. Atenção plena (samadhi) e despertar (prajna) são um. O despertar dá origem à atenção plena, e a atenção plena dá origem ao despertar.
O Milagre é Caminhar Sobre a Terra
Caminhar pela terra com uma mente livre e pacífica é um verdadeiro milagre. Alguns dizem que só é milagroso caminhar sobre brasas, camas de pregos ou água, mas eu considero que simplesmente caminhar pelo chão é o verdadeiro milagre. Quando Neige Marchand traduziu The Miracle of Mindfulness para o francês, ela deu a ele o título The Wonder of Mindfulness, que eu adorei. Imagine que você e eu somos astronautas que pousaram na lua. O motor da nave está avariado, e percebemos que não podemos voltar para a Terra. Antes que o controle da missão consiga enviar uma nave de resgate, nosso oxigênio vai acabar, restando-nos apenas dois dias de vida. Nesse momento, além de sonhar em voltar a caminhar lado a lado pela nossa bela Terra verde, o que poderia trazer paz às nossas mentes e libertá-las da preocupação? Só quando estamos diante da morte é que entendemos verdadeiramente o quão precioso é cada passo nesta terra verde.
Agora, imagine que somos esses astronautas, resgatados sãos e salvos. Celebremos a alegria de caminhar por esta terra adorável mais uma vez! Que esse milagre se manifeste em cada passo. Cada passo é um lótus em flor. Continue essa prática, consciente de que seus passos estão criando maravilhas. O mundo bem diante de você é maravilhoso, indescritível. Com visão correta e pensamento correto, você pode dar passos repletos da felicidade mais profunda nesta terra.
Esteja claramente consciente de que cada passo pousa no chão — na vasta superfície desta terra. Veja com clareza o milagre que é esta terra existir ao seu redor. Ao caminhar, perceba exatamente onde seu pé vai pousar. Ao pisar, concentre-se na sensação do pé, do chão e da conexão entre os dois. Pense no seu passo como um selo de imperador. Quando praticar a meditação andante neste salão, lembre-se de usar "o selo do imperador" ou "a terra a brotar" como tema de contemplação.
Escolhendo um Objeto de Atenção
A atenção plena e a paz são os objetivos da meditação andante. Como a consciência é essencial, voltamos a atenção plena para a respiração, a caminhada, a contagem e o sorriso. Esses quatro elementos nos dão força espiritual. Eles habitam em nós, revelando a presença de uma mente desperta e que tudo sabe.
Por meio da meditação andante, descobrimos niem e dinh. Niem significa atenção plena, e dinh significa concentração. Juntos, descrevem uma mente estável e recolhida — livre de conflitos e distrações, com a consciência repousando firmemente no caminho certo. Para experimentar quietude e paz, você não precisa dos quatro elementos de uma vez — respiração, contagem, caminhada e sorriso. Muitas vezes, só caminhar já basta. Mas se achar difícil manter a atenção plena enquanto caminha, traga um ou dois dos outros elementos.
Qualquer um consegue coordenar caminhada, respiração e contagem. Mas se você focar intensamente em apenas um — digamos, os passos — sua consciência da respiração e da contagem pode desvanecer, como uma lâmpada que perde o brilho quando um aquecedor se liga. Não tem problema, contanto que você mantenha a consciência dos seus passos.
Você pode se perguntar: se eu concentrar toda a minha atenção em observar meus passos, ou em visualizar lótus florescendo sob meus pés, como posso apreciar as outras maravilhas ao meu redor? O bosque de bambus ao longo do caminho, o movimento do vento, o aroma dos arrozais? É verdade — quanto mais amplo o seu campo de atenção, mais suave fica o seu ponto de foco. Se você escolher o lótus, concentre-se apenas no lótus. Se escolher a terra, concentre-se na presença dela. No instante em que seu pé toca o chão, a terra parecerá surgir magicamente sob ele. Você pode estar ciente do passo e da terra ao mesmo tempo.
Se quiser saborear o aroma do arroz, a sombra do bambu, o verde da grama ou as nuvens, basta parar. Mantenha a respiração em consciência clara e permita-se absorver tudo. Deixe um sorriso aflorar nos lábios e segure-o com naturalidade. Depois de um momento, retome a caminhada, devolvendo o foco aos seus passos.
Use Palavras ao Invés de Números
Para manter a atenção na sua respiração, pode usar palavras em vez de números. Por exemplo, se o ritmo for 3-3 e você estiver visualizando uma flor de lótus desabrochando sob os pés, pode dizer em silêncio para si mesmo: "Ló-tus-flo-res-ce, ló-tus-flo-res-ce". Se o ritmo for 2-3, a frase pode ser: "Ló-tus, ló-tus-flo-res-ce". Para quem visualiza a Terra, um ritmo 3-3 pode ser: "Es-ta-ter-ra-ver-de, es-ta-ter-ra-ver-de", enquanto um ritmo 5-5 pode ser: "Cam-in-han-do-so-bre-a-ter-ra-ver-de, cam-in-han-do-so-bre-a-ter-ra-ver-de". Um ritmo 5-6 pode ser: "Cam-in-han-do-so-bre-a-ter-ra-ver-de, eu-cam-in-ho-so-bre-a-ter-ra-ver-de".
Encontre palavras que combinem com o ritmo dos seus passos, assim como você escolheria números. Para os praticantes da Terra Pura, o nome do Buda funciona perfeitamente: "A-mi-tu-o-fo, A-mi-tu-o-fo" (para um ritmo de 4-4), ou "Na-mu-o-a-mi-tu-o-fo, Na-mu-o-a-mi-tu-o-fo" (para um ritmo de 6-6). Esse método se encaixa com facilidade em línguas formadas por palavras monossílabas. Ainda assim, já vi ocidentais conseguirem aplicá-lo também em suas línguas polissilábicas. Eles usam frases como "Cam-in-han-do-so-bre-a-ter-ra-ver-de, eu-cam-in-ho-so-bre-a-ter-ra-ver-de" para um ritmo de 6-6. Essas frases unem a respiração e os passos, ao mesmo tempo que evocam a presença da Terra.
O Futuro dos Seres Humanos Depende dos Seus Passos
Quando praticar a meditação andando, basta caminhar de forma natural. Não precisa juntar as mãos nem usar uma expressão solene. Escolha um caminho tranquilo em um parque ou à beira de um rio. Se estiver em um centro de meditação, pode praticá-la a qualquer momento — todos ali saberão o que você está fazendo, por isso não vão cumprimentá-lo nem interromper sua prática. Se por acaso encontrar alguém no caminho, basta colocar as mãos juntas sobre o peito, fazer uma leve reverência e continuar caminhando.
Quando morei em Sceaux, na França, costumava caminhar de manhã cedo e no final da tarde. O cachorro do vizinho costumava sair correndo e latir para mim. Mais tarde, durante minha estadia em um centro Zen na Montanha Tremper, em Nova York, conduzi um grupo de estudantes americanos em meditação andando. Certa manhã, um cachorro também latiu para nós — os cachorros na América, assim como os da França, não estão acostumados com pessoas caminhando de forma tão silenciosa e lenta. Se você apressa o passo e caminha rápido, eles acham que é normal e não dão atenção. Eu disse aos estudantes: "No próximo ano, quando eu voltar para caminhar com vocês, este cachorro não vai mais latir para nós quando passarmos. Ele terá se acostumado com a meditação andando diária de vocês ao longo do ano e se familiarizado com seu jeito de caminhar com atenção." Todos concordaram.
Acredito que a forma como andamos, ficamos de pé, sentamos e olhamos para as coisas afeta profundamente plantas e animais. É porque os matamos ou destruímos seus habitats que eles enfrentam a extinção. Essas mudanças ecológicas agora retornam para nos prejudicar. A água potável poluída e o ar tóxico já estão custando caro para a saúde humana. Hoje, já produzimos mais de cinquenta mil armas nucleares — o suficiente para destruir muitos planetas iguais ao nosso. Mesmo assim, continuamos a fabricar mais, como se não conseguíssemos parar. Somos como sonâmbulos, sem perceber o que fazemos nem para onde vamos. Se a humanidade vai conseguir despertar desse pesadelo depende inteiramente de conseguirmos aprender a caminhar com passos atentos e concentrados. É por isso que digo que o futuro da humanidade — de fato, o futuro de todos os seres na Terra — depende dos seus passos.
Deixe-me Caminhar com os Seus Pés
A Guerra do Vietnã causou um enorme sofrimento físico e psicológico ao povo vietnamita. Muitos budistas perderam um braço e já não podiam juntar as mãos para se curvar diante do Buda ou uns diante dos outros. Muitos perderam uma perna e já não conseguiam sentar-se na postura de lótus completo nem na de meio lótus, nem praticar a meditação andando. No ano passado, duas pessoas nessa condição vieram ao Templo Phuong Van praticar durante o retiro de verão. Tivemos de encontrar uma maneira diferente para que pudessem meditar. Enquanto todos os demais se sentavam sobre almofadas no assoalho de madeira da sala de meditação, eles se sentavam em cadeiras no canto. Mostrei-lhes como praticar a meditação andando ali mesmo, sobre as suas almofadas: escolher alguém que estivesse realmente caminhando, acompanhar cada um dos passos nítidos e atentos dessa pessoa e, por fim, fundir-se com ela. Assim, também eles podiam plantar passos pacíficos e silenciosos no assoalho de madeira. Mesmo sem conseguir caminhar, conseguiam fazer brotar um lótus a cada passo. Esses dois alunos obtiveram êxito desde o início. Durante a primeira sessão, vi lágrimas brotando em seus olhos.
Você tem ambas as mãos e ambas as pernas. Pode juntar as palmas como um broto de lótus e praticar a meditação andando e a meditação sentada com facilidade e conforto. Reconheça que bênção enorme é essa. Seja um caminhante atento. Caminhe com beleza por si mesmo e por aqueles amigos sentados em cadeiras que seguem os seus passos. Você se dá conta de que está caminhando por muitos dos seus companheiros?
Caminhar para encontrar a paz
Embora seja mais fácil cultivar o foco e a atenção quando se caminha sozinho, também se pode caminhar em silêncio com outra pessoa. Acordo cedo todas as manhãs para caminhar e, sempre que encontro de cinco minutos a meia hora livre durante o dia, aproveito esse tempo para caminhar. A meditação andando traz paz, clareza e muita alegria. Transformemos cada caminho sobre a Terra em um caminho para a meditação andando. Se você não pratica, não se beneficia. Tampouco eu, nem todos os seres sencientes.
Quando você abranda os passos, pode sentir-se um pouco desequilibrado a princípio, como um bebê aprendendo a caminhar. Basta acompanhar a respiração e pousar os pés com atenção consciente, e logo encontrará o equilíbrio. Observe como caminha uma vaca ou um tigre. A vaca avança com uma graça limpa e digna, enquanto o tigre se move com suavidade e elegância. Se você pratica a meditação andando com regularidade, descobrirá que os seus próprios passos também se tornam firmes, seguros e graciosos.
Caminhar para que todos os seres encontrem paz
No início da manhã ou no fim da noite, o ar lá fora parece excepcionalmente fresco e puro. Nada nutre a energia da vida tanto quanto o ar limpo. Quando você pratica a meditação andando, inspira essa energia, fortalecendo corpo e mente. Se você caminha com regularidade, sua vida se transformará aos poucos. Seus movimentos se tornarão mais leves e ágeis, sem peso, e você estará profundamente atento a tudo o que fizer no momento presente. Em seus relacionamentos e em sua tomada de decisões, você se sentirá mais enraizado e resoluto, com maior discernimento e mais compaixão. Todos os seres — próximos ou distantes, grandes ou pequenos, desde o sol, a lua e as estrelas até as folhas e os bichos-da-seda — encontrarão paz por meio dos seus passos atentos.
O verdadeiro amor nasce do entendimento correto
Antes de encerrar, quero partilhar alguns pensamentos vindos diretamente do meu coração. Já disse que este mundo Saha contém todas as maravilhas e prodígios da Terra Pura. Agora tenho de vos dizer que este mundo Saha é, na verdade, melhor que a Terra Pura, porque o sofrimento existe aqui. Se eu hesitasse em entrar na Terra Pura, não seria por não haver ali árvores de carambola ou limoeiros, mas sim porque não existe sofrimento. A primeira coisa para a qual o Buda despertou foi a existência do sofrimento. Se não conseguirem reconhecer a Primeira Nobre Verdade — a verdade do sofrimento — não podem ser verdadeiramente budistas. A consciência do sofrimento dá origem à compaixão, e a compaixão é a força motriz do caminho espiritual. Se não conseguirem ver e compreender este facto, o vosso amor ainda não é amor verdadeiro. Pode ser apenas paixão passageira, entusiasmo ou desejo.
Depois de ir ajudar os refugiados do mar, voltei para a Europa. Na altura, a vida ocidental não me parecia vida de verdade — parecia-me alheia. Depois de ver tantos refugiados sofrer e ainda assim sobreviver no mar, aterrei no aeroporto de Paris e segui de carro para casa. Pelo caminho, passei por cidades e supermercados banhados em luzes de néon coloridas. Tudo aquilo parecia um sonho. Como poderia existir um abismo tão grande na condição humana? Aqui, as pessoas bebiam e festejavam sob as luzes de néon, enquanto no mar, pessoas eram mortas, roubadas, violadas e perseguidas. Tendo despertado verdadeiramente para o sofrimento, rejeitei mais uma vez esta forma de vida superficial. Na Terra Pura, o Buda Amitabha e todos os Bodhisattvas recordam-nos constantemente das Quatro Nobres Verdades e do Nobre Caminho Óctuplo. No entanto, como poderiam as meras palavras do Dharma alguma vez substituir a experiência direta e vivida do sofrimento? Durante a Guerra do Vietname, os ocidentais podiam ver cenas da guerra nos seus ecrãs de televisão, mas pergunto-me até que ponto conseguiam verdadeiramente compreendê-las. Eu vi essas mesmas imagens, e não acredito que consigam transmitir verdadeiramente a profundidade da agonia.
Não Ignorem a Outra Metade do Vosso Tesouro do Dharma
Acho que este mundo Saha em que vivemos é o melhor terreno de treino para a prática. Os mestres Mahayana usam muitas vezes palavras como bondade e beleza para descrever os tesouros do Dharma. Quando dizem: "Bambus verdes e flores amarelas não são senão o maravilhoso Dao; nuvens brancas e a lua brilhante são elas próprias a verdade", estão na verdade a ocultar metade da nossa natureza inata. O verdadeiro rosto da nossa natureza inata inclui também a lama e a água turva da ganância, raiva e ignorância. A verdade é também a dor e o mal que as pessoas infligem umas às outras. Na Terra Pura, os cantos das aves celestiais transformam-se nos sons do Dharma; é o mesmo neste mundo — os cantos das aves podem também revelar a nossa natureza inata.
Um antigo Mestre do Dharma disse uma vez: "Desde o tempo sem princípio, os seres sencientes não nascem nem são destruídos." Compôs também um verso como prova: "Quando a primavera chega, mil flores desabrocham alegremente; o pássaro dourado canta entre os salgueiros verdes." Para nós, o canto do pássaro representa alegria, beleza e pureza; desperta a vitalidade e o amor dentro das nossas vidas. Mas se olharmos um pouco mais fundo, veremos que o canto do pássaro carrega também o rasto do sofrimento. Um dia, enquanto estava sentado calmamente na floresta, sobressaltei-me com o grito de um pássaro. Vi claramente que os insetos que se escondiam sob as folhas ou dentro dos ocos das árvores estavam tão sobressaltados como eu. O chamado do pássaro aterroriza esses insetos, tal como o rugido de um tigre nos aterroriza, dando origem a medo e sofrimento.
Escolher Bodhisattvas como Companheiros de Viagem
A prática da meditação andando abre os olhos para as maravilhas que existem neste universo. Ela pode transformar o mundo Saha na Terra Pura, aliviar suas tristezas e ansiedades e trazer paz à sua mente. Naturalmente, a meditação andando também nos ajuda a ver e perceber a existência da dor e do sofrimento. Quando nossa consciência é límpida e luminosa, podemos ver exatamente o que está acontecendo em nossas vidas. Costumo dizer aos meus alunos de meditação: "Se você não consegue ver o que acontece bem diante de você e ao seu redor, como poderá compreender sua própria natureza? Ver a própria natureza não se alcança fechando os olhos. Pelo contrário: é preciso abri-los bem. É preciso estar plenamente desperto para as condições reais do mundo. Só assim você poderá ver por completo seu tesouro e seu corpo de Dharma, perfeitos e inerentes, e compreender que coisas como explosivos, a fome e a busca por riqueza e fama não estão separadas de sua própria natureza."
Caminhos que cortam os arrozais, impregnados do aroma dos grãos, estradas de terra ladeadas pela sombra dos bambus, parques forrados por folhas secas de cinza escuro — todos esses são caminhos para a meditação andando. Aproveite-os. Eles não farão você perder a atenção plena; pelo contrário, trarão a consciência atenta de que você precisa para ver a verdadeira natureza do mundo. Seja uma trilha estreita ou uma avenida larga, toda estrada deste mundo é um caminho para a meditação andando! Até as vielas remotas de Beirute ou as estradas do Vietnã onde minas terrestres ainda permanecem escondidas, à espera de tirar a vida de crianças e agricultores—contanto que você esteja plenamente desperto, não hesitará em caminhar por elas.
Você ainda experimentará sofrimento, mas ele não virá de sua própria tristeza ou medo. Pelo contrário, surgirá de sua compaixão por todos os seres sencientes, pois agora você traz em si o coração compassivo de um ser desperto—um Bodisatva.
【Sobre Thich Nhat Hanh】Thich Nhat Hanh (Thích Nhất Hạnh, 11 de outubro de 1926 – ) nasceu no centro do Vietnã e é um renomado monge budista zen moderno, poeta, estudioso e ativista pela paz. Ordenou-se aos dezesseis anos e, mais tarde, fundou a Escola da Juventude para Serviços Sociais, a Universidade Budista Van Hanh e a Ordem do Inter-Ser (Tiep Hien). Em 1982, estabeleceu o centro de prática Plum Village, no sudoeste da França, para promover a meditação da atenção plena e apoiar refugiados e crianças de todo o mundo. Dedicou sua vida a difundir a mensagem de paz não violenta e a arte de viver com atenção plena. Em 1967, foi nomeado para o Prêmio Nobel da Paz pelo líder dos direitos civis Martin Luther King Jr. Fluente em vietnamita, inglês, francês e chinês, é autor de mais de cem livros sobre budismo, poesia, ficção e biografia, que já foram traduzidos para mais de quarenta idiomas e frequentemente se tornam best-sellers.
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