Como os Amigos Devem Tratar-se Uns aos Outros
"Amizade de confiança." Isso também se aplica à amizade no contexto das Cinco Relações Cardeais — a forma como devemos nos relacionar uns com os outros. Pode parecer que são questões corriqueiras para nós, mas, nos dias de hoje, muitas p...
"Amizade de confiança." Isso também se aplica à amizade no contexto das Cinco Relações Cardeais — a forma como devemos nos relacionar uns com os outros. Pode parecer que são questões corriqueiras para nós, mas, nos dias de hoje, muitas pessoas não sabem como lidar com as Cinco Relações Cardeais, e é exatamente por isso que tantos problemas surgem nas relações humanas. Como os amigos devem tratar-se uns aos outros? Mantendo a confiança.
Quanto à palavra "amigo": se analisarmos os caracteres que a compõem, "朋" é formado por dois radicais "月", o que sugere um grupo ou multidão; já "友" representa uma pessoa com a mão estendida, sugerindo que os amigos são poucos. Não precisamos forçar uma distinção rigorosa entre os dois. De qualquer forma, "amigo" pode ter muitos significados: funcionários que trabalham na mesma corte, chamados de colegas; pessoas da mesma categoria — como os "同窗", ou seja, colegas de turma; ou mesmo pessoas que trabalham juntas no mesmo local. Todos eles podem ser considerados "amigos".
Como devemos, então, tratar esses amigos? Com "信" — a confiança. "信" significa "não enganar". Observe a sabedoria dos caracteres chineses: "人言為信" — a palavra de uma pessoa se torna "confiança". Esses caracteres tratam a fala humana com grande dignidade: uma vez que uma pessoa se pronuncia, sua palavra tem peso e está livre de fraude. Por outras palavras, se tudo o que você diz é misturado a falsidades, então você anula, naquele exato momento, sua própria condição de ser humano! Nossa cultura confucionista dá uma ênfase especial ao "信": "Se uma pessoa não tem confiança, não sei como ela pode se relacionar." Uma pessoa sem confiança simplesmente não sabe como se sustentar no mundo. Como dizem os Analectos: "Um grande carro sem barra de travamento, um carro pequeno sem pino de jugo — como podem ser conduzidos?" Sem o eixo e o gancho, o carro não consegue se mover.
"Desde os tempos antigos a morte é o destino de todos os homens, mas um povo sem confiança não pode se sustentar." Durante o período dos Reinos Combatentes, o Duque Wen de Jin vagou por outros estados antes de finalmente retornar a Jin e tornar-se seu governante mais uma vez, e o que sustentou seu retorno ao poder foi a confiança. "A confiança é o tesouro do estado, o abrigo do povo." Portanto, como amigo, é essencial manter a confiança. E esse "信", que significa "não enganar", não se resume a cumprir o que se promete em palavras. Ele vai muito além.
Por exemplo, se um amigo lhe confia uma tarefa e você não se empenha ao máximo para cumpri-la, isso é "非信也". Se você deve dinheiro a alguém e não paga, isso é "非信也". Se você elogia uma pessoa em sua presença e a difama pelas costas, isso é "非信也". Entre amigos, há o dever de compartilhar o que se tem; se um amigo está em necessidade urgente e você não move um dedo para ajudar, isso é "非信也". Se você conhece os defeitos de um amigo e não o repreende, isso também é "非信也".
Portanto, essa relação de amizade — o modo de ser amigo — é o que os Analectos tratam como o Caminho da Amizade. Confúcio disse: "Há três tipos de amigos benéficos e três tipos prejudiciais."
Que tipo de amigos devemos cultivar? "Os íntegros, os sinceros e os cultos." Busque a amizade de pessoas íntegras, de pessoas sinceras e honestas, e de pessoas amplamente instruídas. Esses amigos contribuem para o seu caráter e para a sua formação moral.
Por outro lado, "Os aduladores, os submissos e os eloquentes vazios — estes são prejudiciais." Esses são amigos que se bajulam mutuamente, que parecem respeitosos em sua presença mas o difamam pelas costas, que gostam de falar muito sem dizer nada de substancial, amigos de ocasião, de vinho e carne — todos esses fazem mal.
E assim, a pessoa que você se torna se reflete nos amigos que cultiva. Quando houver amigos bons e virtuosos, busque-os; quando não houver nenhum, é melhor ficar sozinho. Mesmo na solidão, não se deve fazer amizade com aqueles que lhe fariam mal.