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Análise aprofundada do mundo material revela, por fim, que ele não passa de vacuidade

Quando Wuxiu ouviu o Bodhisattva dizer essas palavras, percebeu que tentar prever a duração da própria vida não fazia sentido, por isso pediu orientação sobre o que fazer. O Bodhisattva então transmitiu este ensinamento: "Você deve compr...

Quando Wuxiu ouviu o Bodhisattva dizer essas palavras, percebeu que tentar prever a duração da própria vida não fazia sentido, por isso pediu orientação sobre o que fazer. O Bodhisattva então transmitiu este ensinamento: "Você deve compreender que praticar o caminho budista sem realizar a mente no momento presente é como construir uma casa sem assentar as fundações, ou tentar cruzar um rio de correnteza sem uma jangada."

Tanto as linhagens de meditação Chan quanto as escolas doutrinais e baseadas nas escrituras do budismo atribuem uma ênfase especial a esta questão: Qual é o único pensamento que surge na mente no momento presente? A escola Chan se refere a essa prática como "investigar e sondar este único pensamento mental"; as escolas doutrinais praticam a "contemplação tríplice dentro de uma única mente"; a escola da Terra Pura ensina "conter as seis raízes dos sentidos e manter a atenção plena unidirecionada e sem distrações." Todos esses caminhos visam a nos permitir realizar claramente o único pensamento mental do momento presente. Para chegar a essa realização, precisamos nos dedicar a uma "contemplação e investigação" atentas — observando e sondando a mente em profundidade.

A maioria das pessoas comuns está sempre voltada para o exterior, absorvida pelos cinco desejos e os seis objetos dos sentidos, dia após dia. Elas se preocupam obsessivamente com o crescimento de seus negócios e com atritos interpessoais e fofocas. Raramente voltam o olhar para o pensamento que surge na mente no momento presente, para contemplá-lo: "Meu corpo, formado pelos quatro grandes elementos — terra, água, fogo e ar —, e minha mente e consciência: de onde tudo isso surge?" Quando refletimos que os quatro grandes elementos são todos fenômenos condicionados, vemos que nossos corpos não têm uma realidade inerente. Se desmembrarmos o corpo em seus elementos constituintes individuais, nenhum deles sozinho constitui o corpo. Não podemos existir sem esses elementos, mas nenhum elemento é idêntico ao próprio corpo.

Nossa mente e consciência — esses fenômenos ilusórios surgem e se desfazem num instante, correndo como uma torrente. Qual é a base de sua existência? É por isso que investigamos e passamos a ver que tanto o corpo quanto a mente são ilusórios e irreais, produtos de visões delusórias profundamente fixadas. Essa forma de contemplação e investigação é exatamente o que dissolve o apego ao eu. Por que todos os seres sencientes se apegam tão tenazmente a seus corpos? Porque os tomam como reais, quando na verdade não o são de modo algum. Quando entendemos que nossos corpos e mentes são ilusórios, percebemos também que o mundo manifesto por essa mesma mente — o mundo todo, até a menor partícula de poeira — também é ilusório. Reconhecer isso demanda o poder penetrante da profunda sabedoria prajna.

Todos os seres sencientes supõem que o mundo material é real, mas será que ele de fato o é? Tome esta mesa como exemplo: do que ela é feita? Ela é formada por moléculas, que são formadas por átomos, que por sua vez são formados por prótons — e estes, por quarks. Se você continuar analisando até o nível de neutrinos e partículas fundamentais, tudo o que encontra é vibração: um fenômeno vazio e insubstancial. O mundo material não é real em última instância, e não tem existência independente inerente.

Esta mesa não possui existência inerente desde o começo. Ela é formada por todos os seus fatores contribuintes: madeira, plantas e projetos, e o trabalho de carpintaria que reuniu essas partes para formar um objeto funcional. Em essência, é um fenômeno que surge em dependência de causas e condições. Todos os fenômenos que surgem em dependência de causas e condições são vazios de natureza própria inerente, por natureza. Esta é a verdade essencial que os praticantes do caminho budista devem realizar: tanto nosso corpo e mente quanto o mundo material externo são ilusórios e irreais.

Já que todas essas coisas são irreais, de onde vêm o mundo material, assim como nosso próprio corpo e mente? E para onde vão quando se dissolvem? Em última instância, não é possível localizar uma origem para eles, nem encontrar um ponto onde deixem de existir. Tudo que podemos afirmar é: eles não vêm de lugar nenhum, não vão para lugar nenhum; surgem e cessam exatamente no ponto onde se manifestam. Em essência, isso significa que eles não são nem nascidos nem destruídos — essa é sua natureza fundamental e verdadeira. Quando entendemos que eles não são nem nascidos nem destruídos, retornamos ao próprio estado de vacuidade.

Já que todas as coisas não são nem nascidas nem destruídas, a dualidade entre sujeito e objeto — entre o que percebe e o que é percebido — não tem onde se apoiar. Se corpo e mente não têm uma base inerente, que realidade inerente têm as experiências de ver, ouvir, sentir e conhecer que vivenciamos? Como diz o ditado: "Se a pele se for, onde o cabelo pode se apoiar?" Uma vez que entendemos isso, vemos que tanto os fenômenos materiais (forma) quanto os fenômenos mentais são ilusórios. No exato instante em que se manifestam de forma ilusória, estão livres de todas as distinções dualísticas. Nesse mesmo instante, entre o nascimento e a dissolução das aparências ilusórias, podemos realizar diretamente a essência imutável e fundamental da verdadeira talidade (tathata).

Essa essência imutável e fundamental da verdadeira talidade é a causa direta e verdadeira de alcançarmos o fruto da budidade desde o tempo sem início.

O Sutra Surangama primeiro nos pede para diferenciar dois tipos de mente: uma é a mente apegada, sempre cambiante, que se apega a objetos externos; a outra é a mente maravilhosa do nirvana e da bodhi, não nascida e imperecível, que possuímos inerentemente desde o tempo sem início. Devemos fundamentar nossa prática nessa mente da verdadeira talidade, não nascida e imperecível, se desejamos alcançar o fruto da budidade, também não nascido e imperecível. Se praticarmos com base na mente apegada e condicionada, alcançar o fruto da budidade não nascido e imperecível é totalmente impossível, pois a causa e o efeito não estão alinhados. É exatamente como tentar cozinhar arroz com areia — isso é simplesmente impossível.

Trata-se da verdade última (paramārtha satya). Se você realizar profundamente essa verdade última, quando recitar o nome do Buda e buscar renascimento na Terra Pura, renascerá no grau mais elevado da Terra Pura — pois conta com a profunda sabedoria prajna.