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A Natureza e a Função da Ordenação

No Budismo, quem renuncia à vida doméstica divide-se em cinco categorias: śrāmaṇera, śrāmaṇerikā, śikṣamāṇā, bhikṣu e bhikṣuṇī. Essas cinco — também chamadas de cinco graus ou cinco classes — são definidas assim: o homem que recebe os de...

No Budismo, quem renuncia à vida doméstica divide-se em cinco categorias: śrāmaṇera, śrāmaṇerikā, śikṣamāṇā, bhikṣu e bhikṣuṇī. Essas cinco — também chamadas de cinco graus ou cinco classes — são definidas assim: o homem que recebe os dez preceitos é chamado de śrāmaṇera, e a mulher que recebe os dez preceitos é chamada de śrāmaṇerikā; o homem que recebe o conjunto completo dos preceitos monásticos é chamado de bhikṣu, e a mulher que recebe o conjunto completo dos preceitos monásticos é chamada de bhikṣuṇī.

O estágio śikṣamāṇā é uma fase de transição entre as etapas de śrāmaṇerikā e bhikṣuṇī. Toda śrāmaṇerikā precisa passar dois anos nessa etapa antes de poder receber os preceitos de bhikṣuṇī e tornar-se bhikṣuṇī. Essa regra foi criada principalmente para impedir que mulheres que engravidassem ainda na vida leiga entrassem para a ordem monástica. Como a etapa de śrāmaṇerikā não tem duração fixa, se uma mulher já tem 18 anos quando renuncia à vida doméstica e recebe os dez preceitos de śrāmaṇerikā, ela começa imediatamente o treinamento de śikṣamāṇā. Depois de dois anos, caso não haja sinais de gravidez e ela já esteja adaptada à vida monástica, pode receber os preceitos de bhikṣuṇī aos 20 anos.

O significado da renúncia foi discutido acima. Quanto à natureza da renúncia, o Budismo a divide em três tipos:

Primeiro: renúncia de corpo e mente: Viver em um monastério nas montanhas e florestas constitui a renúncia do corpo; deixar de cultivar os cinco desejos da vida mundana e permanecer indiferente a reputação, ganho e perda constitui a renúncia da mente. Quando corpo e mente estão em harmonia, habitando o Caminho com contentamento, essa é a renúncia de corpo e mente ao mesmo tempo. Esse é o caminho correto da renúncia e o dever legítimo de quem deixou o lar.

Segundo: renúncia do corpo, mas não da mente: Algumas pessoas podem raspar a cabeça, vestir vestes monásticas, viver em um monastério, permanecer solteiras e talvez até manter a pureza pessoal; contudo, sua vida interior e sua aparência exterior não condizem. Corpo e mente estão em conflito. Por fora parecem ter renunciado ao mundo, mas por dentro anseiam pelos cinco desejos. Renunciam à vida doméstica para garantir o sustento, ou mesmo por prestígio social e status. Embora não tenham interesse genuíno pela vida monástica, as pressões para ganhar a vida e as relações sociais as obrigam a continuar nessa vida.

Essas pessoas são as mais dignas de compaixão. Não encontram alegria na vida mundana, nem colhem os benefícios que o Dharma oferece. O que as espera, no entanto, é uma terrível retribuição em vidas futuras, pois sua fé no Budismo acaba por se comprometer, e sua vida monástica nunca poderá ser íntegra e sem falhas. Por isso, essa é uma renúncia censurada pelo Buda, e mesmo assim é uma visão comum na Era de Declínio do Dharma.

Terceiro: renúncia da mente, mas não do corpo: Essa descreve a renúncia dos santos Bodhisattvas. Não se apegam aos prazeres dos cinco desejos, mas, para guiar e libertar seres sencientes, costumam se manifestar na forma de leigos, com esposas e filhos. Vimalakīrti e Bhadrapāla são exemplos disso. Embora vivam no mundo leigo e desfrutem da companhia de esposas, suas mentes permanecem desapegadas e livres de aflição, cobiça e desejo, puras e luminosas. No entanto, isso de modo algum está ao alcance de seres comuns, e por isso não é o caminho habitual da renúncia, nem pode servir de modelo para a vida monástica.

A vida monástica no Budismo também serve a diversos propósitos:

Primeiro: existe para escapar do ciclo de nascimentos e mortes — isso enfatiza a aspiração ao espírito de transcendência e suscita o chamado à vida monástica.

Segundo: existe para despertar o mundo e guiar os que se extraviaram — oferece um caminho de clareza e antídoto para aqueles que estão perdidos no campo de batalha dos sons e formas, embriagados no oceano dos cinco desejos.

Terceiro: existe para que o Dharma permaneça no mundo — seu foco é estabelecer a Saṅgha, para que a tarefa de desdobrar e disseminar continuamente os ensinamentos do Buda seja realizada de forma ordenada e duradoura.

No entanto, para a grande maioria de quem renuncia à vida doméstica no Budismo, os três propósitos precisam ser abraçados ao mesmo tempo: para si mesmo, o objetivo é buscar a libertação do ciclo de nascimentos e mortes; para os outros, despertar o mundo e guiar os que se extraviaram; e para o Budismo, sustentar e propagar o Dharma. Se faltar qualquer um desses propósitos, a prática não é plena. Renunciar à vida doméstica sem buscar a própria libertação do ciclo de nascimentos e mortes é uma renúncia que não vale a pena; renunciar sem despertar o mundo e guiar os que se extraviaram trai o espírito da missão do Dharma de transformar o mundo; renunciar sem sustentar o Dharma é deixar de retribuir a grande bondade do ensinamento do Buda.