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Se você é um Bodhisattva Mahayana não é definido por quanto mérito você acumula

O ponto chave para determinar se alguém é um Bodhisattva Mahayana não está em ter criado karma benéfico ou maléfico. Pelo contrário, o que realmente importa é se ele aspira genuinamente a "alcançar a suprema Budeidade acima, e libertar o...

O ponto chave para determinar se alguém é um Bodhisattva Mahayana não está em ter criado karma benéfico ou maléfico. Pelo contrário, o que realmente importa é se ele aspira genuinamente a "alcançar a suprema Budeidade acima, e libertar os seres sencientes abaixo".

Como afirmou o Mestre Ouyi: "Todos os fenômenos não têm natureza inata e seguem inteiramente o rumo da mente. Se a mente se volta para a Bodhi, todos os fenômenos fluem para a Bodhi. Se a mente se volta para a fama e a fortuna, todos os fenômenos fluem para a fama e a fortuna."

Se praticarmos uma ação benéfica hoje — seja por meio de generosidade, observância dos preceitos ou cultivo da paciência e da meditação — só podemos dizer que esse karma benéfico trará uma recompensa kármica agradável. Qual será a direção final dessa recompensa agradável? Esse karma benéfico ainda não tem uma direção predeterminada — "todos os fenômenos não têm natureza inata". Quem, então, define essa direção? O karma "segue inteiramente o rumo da mente". Sua motivação inicial dita a trajetória desse karma benéfico.

Se você cultiva karma benéfico em prol da Bodhi — "se a mente se volta para a Bodhi, todos os fenômenos fluem para a Bodhi" — seus atos de generosidade e observância dos preceitos podem parecer, à primeira vista, virtudes humanas ou celestiais comuns. No entanto, como são guiados pela Bodhicitta, eles ficam completamente imbuídos da essência da Bodhi. Por outro lado, se sua generosidade e observância dos preceitos visam assegurar renascimentos mundanos agradáveis — "se a mente se volta para a fama e a fortuna, todos os fenômenos fluem para a fama e a fortuna" — então seu karma benéfico fica completamente manchado pelo aroma da fama e da fortuna. Quando a causa é impura, o fruto resultante também será naturalmente impuro.

Pense nisso: em seu estágio causal, o Buda cultivou diversos atos benéficos; Mara (o Rei dos Demônios) também cultivou muitos atos benéficos nesse mesmo estágio. Naturalmente, desprezamos Mara, pois ele obstrui os praticantes espirituais. No entanto, pelas escrituras, sabemos que, em vidas passadas, Mara também praticou generosidade extensa. Ele construiu mosteiros, organizou inúmeras grandes assembléias sem restrições, fez oferendas a um Pratyekabuddha e até mesmo observou os Oito Preceitos. Devido ao poder desses três tipos de karma meritório, ele renasceu como Mara, desfrutando dos prazeres mundanos dos cinco desejos.

Por que o karma benéfico cultivado pelo Buda resultou na recompensa magnífica, pura e adornada da Budeidade — completa com os Três Corpos, Quatro Sabedorias, Cinco Olhos e Seis Poderes Sobrenaturais? Já quando o exato mesmo karma benéfico entrou na mente de Mara, ele se transformou em uma retribuição impura de desejos mundanos? Por que um karma benéfico idêntico levaria a desfechos tão diferentes? É precisamente por causa da diferença na motivação inicial: damos a esse karma benéfico uma direção diferente, guiando-o para desfechos totalmente distintos.

Em seus escritos coletados, o Mestre Yin Guang apresentou uma analogia: Quando uma vaca bebe água, movida por uma natureza virtuosa, ela transforma essa água em leite para nutrir os seres vivos. Quando uma cobra venenosa bebe água, movida pela raiva e pela malícia, ela transforma essa água em veneno mortal para prejudicar os outros. Ambas as criaturas bebem a exata mesma água: uma produz leite, a outra, veneno. Essa analogia ilustra com perfeição a verdade de que "todos os fenômenos não têm natureza inata e seguem inteiramente o rumo da mente".

Portanto, desde o início de nossa prática budista, devemos alinhar sinceramente nossas intenções e retificar nossa mente. Devemos ter absoluta clareza sobre nosso objetivo: o que você busca de verdade em sua vida? Esse é o ponto crucial. Se perdemos de vista a Bodhicitta, qualquer prática virtuosa que realizarmos será, em essência, um ato de Mara.

Como afirma o Sutra da Guirlanda de Flores (Avatamsaka Sutra): "Cultivar práticas virtuosas e se esquecer da Bodhicitta é chamado de atos de Mara." Por que isso? Porque se você não busca a suprema Bodhi, suas práticas virtuosas visam apenas assegurar renascimentos humanos ou celestiais, e em sua próxima vida você atrairá uma recompensa kármica de riqueza e status. No entanto, tais circunstâncias abençoadas levam facilmente à degeneração. Quanto maiores suas bênçãos, mais pesados são seus emaranhamentos kármicos e mais atribulada se torna sua vida. O próprio karma benéfico que você cultivou em sua vida passada se transforma em um obstáculo nesta vida. Quando você quer praticar o Dharma, torna-se extremamente difícil, pois está distraído por inúmeros assuntos mundanos. Essa obstrução ao cultivo do caminho sagrado é exatamente o que caracteriza os "atos de Mara". O que Mara faz é simplesmente obstruir os praticantes, esperando que ninguém busque a liberação e todos continuem rodando sem fim pelos Três Reinos.

Assim, devemos entender que a verdadeira condição para entrar no caminho Mahayana não tem nada a ver com quanto mérito e virtude você acumulou. Pelo contrário, ela reside inteiramente no despertar genuíno da Bodhicitta em seu coração. Essa é nossa base absoluta.