Cinco configurações padrão ocultas em cada pensamento
"Onipresente" refere-se à natureza permeante desses fatores mentais em toda a atividade mental.
Fatores Mentais Onipresentes
"Onipresente" refere-se à natureza permeante desses fatores mentais em toda a atividade mental.
Sempre que surge em nós uma mudança mental — seja um pensamento virtuoso, não virtuoso ou neutro —, os cinco fatores que compõem os fatores mentais onipresentes surgem ao mesmo tempo.
Sua onipresença se reflete em quatro aspectos:
○ Presentes em todas as naturezas éticas: não importa se o pensamento é virtuoso, não virtuoso ou neutro (sem marca), os fatores mentais onipresentes podem surgir concomitantemente à mente; ○ Presentes em todas as consciências: os seres sencientes possuem os oito soberanos da consciência, e os fatores mentais onipresentes podem surgir em conjunto com todas elas; ○ Presentes em todos os reinos e estágios: em razão das condições cármicas, os seres sencientes circulam pelos três reinos e nove estágios de existência, e os fatores mentais onipresentes operam universalmente em todos eles; ○ Presentes em todos os tempos: tanto no passado, no futuro quanto no presente, esses fatores surgem em correspondência com a consciência.
Ao todo, os fatores mentais onipresentes somam cinco: contato, atenção, sentimento, percepção e volição.
Dentre eles, os fatores de sentimento e percepção são classificados cada um como um agregado próprio (o agregado do sentimento e o agregado da percepção) por suas funções kármicas específicas; por isso, vamos abordar aqui apenas os três fatores restantes: contato, atenção e volição.
O Fator Mental de Contato
"O que é contato? É definido como a característica que surge da conjunção dos três elementos e da função discriminativa." — Tratado sobre os Cinco Agregados do Mahayana
Para perceber qualquer objeto, todas as condições necessárias precisam se reunir para que o processo de percepção se complete.
O primeiro passo depende da conjunção de três elementos: a faculdade sensitiva, o objeto cognitivo e a consciência.
A faculdade sensitiva refere-se aos seis órgãos sensoriais: olhos, ouvidos, nariz, língua, corpo e mente.
O objeto corresponde aos seis tipos de objetos percebidos pelas seis faculdades sensitivas: forma, som, odor, sabor, objetos táteis e objetos mentais.
A consciência é a função cognitiva e discriminativa que surge quando uma faculdade sensitiva entra em contato com um objeto, e abrange a consciência visual, a consciência auditiva, a consciência olfativa, a consciência gustativa, a consciência tátil e a consciência mental.
No exato momento em que a faculdade sensitiva, o objeto cognitivo e a consciência convergem, o fator mental de contato surge simultaneamente. Formamos uma percepção subjetiva do objeto objetivo e, a partir daí, surgem ao mesmo tempo uma série de fatores mentais subsequentes — sentimento, percepção e volição.
Por exemplo, quando olhamos para uma flor, nossa faculdade sensitiva visual entra em contato com o objeto de forma. Nesse momento, a consciência visual surge, reconhecendo que se trata de um objeto vermelho. Ao mesmo tempo, a consciência mental se apoia nas informações da consciência visual para realizar uma discriminação mais precisa: “Ah, esta é uma rosa.” Isso vem acompanhado do surgimento do sentimento: eu gosto, eu não gosto, ou sou neutro em relação a ela.
Em suma, o fator mental de contato é como ligar um interruptor de energia: ele coloca o sistema em modo de espera, pronto para entrar em ação a qualquer momento.
O Fator Mental de Advertência
"O que é advertência? É definida como a característica de despertar a vigilância na mente." — Tratado sobre os Cinco Agregados do Mahayana
O fator mental de advertência é uma função psicológica que traz alerta e vigilância à nossa mente.
Mesmo que a faculdade sensitiva, o objeto cognitivo e a consciência já tenham entrado em contato, se a mente não estiver em estado de alerta, não conseguimos focar verdadeiramente no objeto em nossa atividade mental.
Na vida cotidiana, todos nós conhecemos bem o estado de distração: mesmo estando fisicamente presentes em um ambiente, a mente não se concentra no que nos rodeia.
Quando a mente está ocupada com outras coisas, é difícil assimilar informações do ambiente externo: olhamos sem ver, ouvimos sem escutar e não conseguimos perceber a verdadeira natureza das coisas. É por isso que precisamos da função do fator mental da atenção, para despertar o alerta e a consciência na mente.
Além de nos ajudar a concentrar a atenção, o fator mental da atenção também pode direcionar a consciência para o objeto a que se destina. Por exemplo, durante uma palestra, ele direciona a consciência auditiva para os sons específicos da fala, em vez de deixar que as palavras entrem por um ouvido e saiam pelo outro.
Na vida cotidiana, a consciência costuma ficar em estado de meia consciência. Se a energia mental for insuficiente, ficamos frequentemente com a mente no mundo da lua, e a atenção não consegue se manter focada no objeto que exige nossa percepção consciente.
Se a mente não consegue se concentrar no objeto que busca compreender, dificilmente surgem respostas mentais subsequentes. Podemos dizer que o fator mental da atenção é uma condição psicológica crucial para o reconhecimento claro de objetos externos.
O fator mental da atenção também é como ajustar o foco da lente de uma câmera na hora de tirar uma fotografia: só quando o motivo está perfeitamente focado é que você pode apertar o obturador para capturar a imagem; caso contrário, a foto fica borrada e fora de foco.
O Fator Mental da Volição
Entre os cinco fatores mentais onipresentes que estamos estudando, o fator mental da volição é extremamente importante.
○ Contato: a conjunção da faculdade sensorial, do objeto cognitivo e da consciência. ○ Atenção: a mente se torna alerta e se volta para o objeto. ○ Sentimento: o surgimento da experiência afetiva (dor, prazer ou estado neutro, nem dor nem prazer). ○ Percepção: a apreensão das características de um objeto e sua conceituação. ○ Volição: a partir dos passos anteriores, ela inicia a atividade mental intencional e desencadeia o comportamento correspondente.
Podemos dizer que o fator mental da volição é o ponto de virada em que a consciência passa da "cognição" para a "ação".
"O que é volição? Ela é definida como a característica de levar a mente a criar ação intencional em resposta a estados benéficos, estados prejudiciais e estados que são contrários a ambos." — Tratado sobre os Cinco Agregados do Mahayana
Os objetos que o fator mental da volição aborda se dividem em três categorias: estados benéficos (meritórios), estados prejudiciais (demeritórios) e estados neutros, que não são nem benéficos nem prejudiciais.
Por "estados benéficos", entende-se as condições favoráveis que surgem de ações cármicas puras e benéficas; por "estados prejudiciais", as condições danosas que surgem de ações cármicas impuras e prejudiciais; e por "estados neutros (nem benéficos nem prejudiciais)", as condições invariáveis que não se encaixam nas duas categorias anteriores, provenientes de ações cármicas neutras e não marcadas.
Quando encontramos qualquer um desses três tipos de condições, nossa mente decide como responder e, no final, age: essa é a função do fator mental da volição. Por exemplo, quando vemos alguém se curvar ao Buda e rezar por bênçãos (uma condição benéfica), podemos pensar: "Isso é bom, eu deveria fazer o mesmo." Assim que esse pensamento surge, ele nos leva a nos curvar e prestar reverência diante do Buda. Ou, por exemplo, se alguém nos insulta (uma condição prejudicial), ao ouvir o insulto, podemos reagir internamente: "Não vou deixar isso passar, tenho que devolver o insulto!" Dessa forma, criamos karma verbal prejudicial.
Conclusão
Os fatores mentais onipresentes são os elementos psicológicos que permitem aos seres sencientes cognizar objetos e tomar decisões sobre as ações. Contamos com a função desses fatores para viver no mundo e atender às nossas necessidades de sobrevivência mais básicas.
Como praticantes budistas, depois de estudar os ensinamentos sobre os fatores mentais onipresentes, não devemos tratá-los apenas como conhecimento doutrinário budista abstrato. Pelo contrário, precisamos integrá-los à nossa vida, fazendo uma reflexão interior regular para observar nossos verdadeiros estados internos e pensamentos.
A partir dessa base, devemos guiá-los habilmente, transformando nossa relação com esses fatores: de seguirmos nossas próprias tendências habituais ignorantes para seguirmos a sabedoria e a compaixão, de modo a gerar o máximo possível de karma benéfico e reduzir ao máximo a geração de ações cármicas prejudiciais.