A Prática do Samadhi Requer Tanto Cessação quanto Insight
Há muitas formas de "perfeição do samadhi", demasiadas para serem todas abordadas aqui. Em vez disso, vou resumir brevemente três: primeiro, o samadhi mundano; segundo, o samadhi supramundano; e terceiro, o samadhi supramundano supremo.
Há muitas formas de "perfeição do samadhi", demasiadas para serem todas abordadas aqui. Em vez disso, vou resumir brevemente três: primeiro, o samadhi mundano; segundo, o samadhi supramundano; e terceiro, o samadhi supramundano supremo.
"Samadhi" provém da palavra sânscrita dhyāna, que se traduz como "contemplação serena". "Serena" refere-se à cessação, enquanto "contemplação" refere-se ao insight — mas não é o tipo de contemplação movida pelo pensamento discursivo e conceitual.
Se deseja cultivar o samadhi, comece por encontrar um lugar tranquilo onde seja fácil recolher a mente. Sente-se com a coluna ereta, a postura alinhada — sem se inclinar nem tombar, sem curvar-se para a frente nem arquear para trás. Em seguida, regule a respiração. Abra ligeiramente os lábios e os dentes para exalar o ar viciado, inspire um pouco de ar fresco e conduza suavemente a respiração nasal para um ritmo fluente e uniforme, nem rápido nem lento demais. Esses são os ajustes essenciais antes de começar. Uma vez em meditação, abandone de imediato todos os pensamentos discursivos e deixe a mente repousar na cessação.
Contudo, a cessação sem insight leva ao torpor. A mente torna-se turva e afunda num estado vazio e inconsciente — isso não é o verdadeiro samadhi. É preciso despertar a luz da sabedoria para iluminar um huatou (expressão crítica). Os mestres antigos estabeleceram muitos huatou para esse fim. Você pode investigar: "Antes de meus pais nascerem, qual era o meu rosto original?" Ou: "Todos os dharmas retornam a um — para onde retorna esse um?" Ou ainda: "Quem está recitando o nome do Buda?" Qualquer um destes serve.
Use a luz de sua própria mente para observar, desperte a sensação de dúvida e investigue o huatou. Grande dúvida traz grande despertar; pequena dúvida traz pequeno despertar; sem dúvida, não há despertar algum. Por isso é preciso despertar essa dúvida para investigar, perguntando: "Qual é o meu rosto original?" Apenas cuide para não começar a analisar, pensando: "É isto" ou "Aquilo não é." Se começar a discriminar, cairá na inquietação. A mente se dispersará e correrá solta, enredada em pensamentos iludidos — e isso também não é samadhi.
A prática do samadhi exige absolutamente cultivar cessação e insight em conjunto. Quando há insight na cessação, não se cai no torpor. Quando há cessação no insight, não se cai na inquietação. Como disse um mestre antigo: "Tranquilo, porém alerta, é o correto; entorpecido, em silêncio morto, não é. Alerta, porém tranquilo, é o correto; numa atenção dispersa e iludida, não é." Somente quando cessação e insight atuam juntos encontramos o verdadeiro samadhi. São como as duas rodas de uma carroça ou as asas de um pássaro — não se pode abrir mão de nenhuma das duas.
Hoje em dia, algumas pessoas praticam a meditação sentada visualizando o dantian inferior ou o mar de qi, ou "refinando a essência em qi, e o qi em espírito". Todas essas são práticas condicionadas, baseadas na forma. Na melhor das hipóteses, trazem alguns benefícios à saúde ou pequenas habilidades paranormais. De modo algum constituem a obra de libertar-se do ciclo de nascimento e morte.
Consideremos o primeiro tipo, o samadhi mundano. "Mundano" refere-se aos reinos de existência. Nos dois reinos acima do reino do desejo, o Reino da Forma contém quatro dhyanas e o Reino Sem Forma contém quatro. Mas todos esses são samadhis "contaminados", alcançados mediante uma progressão gradual. No Reino da Forma, a primeira dhyana traz o "samadhi da alegria e bem-aventurança nascidas do desapego"; a segunda traz o "samadhi da alegria e bem-aventurança nascidas da concentração"; a terceira traz o "samadhi da bem-aventurança sublime, livre da alegria"; e a quarta traz o "samadhi da equanimidade pura e da atenção plena". No Reino Sem Forma, deixa-se a forma para trás e entra-se no vazio: há o "samadhi do espaço infinito", o "samadhi da consciência infinita", o "samadhi do nada" e o "samadhi de nem percepção nem não percepção". Todos esses oito samadhis envolvem entrar, permanecer e sair do estado. São práticas condicionadas, não o incondicionado. Mesmo que se permaneça em tal samadhi por incontáveis éons, as aflições não são de fato cortadas, e o sofrimento do nascimento e da morte não é evitado. Uma vez esgotada a recompensa kármica desta vida, você simplesmente retornará e se dispersará pelos diversos reinos de existência. Isso é o samadhi mundano.
Em seguida está o samadhi supramundano, o samadhi alcançado pelos sábios dos Três Veículos. Os arhats e pratyekabuddhas — praticantes dos dois veículos — alcançam o "samadhi da cessação", no qual a percepção e a sensação cessam e a sexta consciência deixa de funcionar. Contudo, sua concentração só consegue cortar as aflições dentro dos três reinos e eliminar o apego ao eu. Não consegue romper o apego aos dharmas, tampouco conseguem eles sair do vazio para o mundo provisório a fim de ensinar e guiar os seres vivos. O samadhi cultivado pelos bodhisattvas do Mahayana, por sua vez, é o samadhi inato da verdadeira natureza, refinado e aperfeiçoado através da prática. Tomemos o Samādhi Śūraṅgama, por exemplo: ele toma a totalidade do Reino do Dharma como sua essência. Está bem aqui, nas nossas faculdades sensoriais, e ao mesmo tempo abrange todos os dharmas. É simultaneamente movimento e quietude, unindo todos os fenômenos e princípios subjacentes sem omissão. Não tem entrada nem saída, harmonizando movimento e quietude numa totalidade única. Esse samadhi, tal como o alcançado pelos dois veículos, é incontaminado. É o que chamamos de samadhi supramundano.
Por fim, o samadhi supramundano supremo é aquele que os Tathāgatas cultivam e realizam. Como diz o ditado, um naga está constantemente em samadhi — não há um único instante em que não esteja. Por mais que o caos e a mudança se desdobrem, sua mente fundamental e singular permanece inteiramente imóvel. É como o vasto espaço vazio: eternamente sereno, límpido e constante. Este é o samadhi supramundano supremo.